Na cidade de Nazaré da Mata, na zona da mata pernambucana, trava-se uma guerra de intolerância entre brincantes do maracatu rural e convertidos à religião evangélica. Esse é o mote central de Azougue Nazaré, de Tiago Melo, mais uma demonstração de força do cinema de Pernambuco. O diretor estreia em longa-metragem próprio depois de trabalhar na produção de filmes como Boi Neon, Aquarius, Divino Amor e Bacurau.

Azougue Nazaré guarda semelhanças com Bacurau, a começar pelo elenco mestiço que trava a batalha contra os abusos da religião e da política. Negro e obeso, Valmir do Coco é o expressivo protagonista da história, filmada em território de vigência do maracatu rural. O mestre de maracatu Barachinha vive Barachinha, ex-mestre de maracatu que se tornou pastor evangélico e gasta seu tempo tentando demover a comunidade de festejar a vida segundo padrões profanos. 

Em alguns momentos, a guerra se trava entre a tecnologia e a religião (os jovens brincantes trocam desafios musicais de maracatu via whatsapp) e entre a religião e a música brega (um dos temas do filme é a católica O Homem de Nazareth, sucesso de Antonio Marcos, numa versão em inglês). Em qualquer caso, a religiosidade intolerante é a ponta de lança da guerra no belo Azougue Nazaré.

Azougue Nazaré. De Tiago Melo. Brasil, 2019, 82 min.

 

 

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