Como fã de Raul Seixas tenho uma predileção pelos seus primeiros discos na Philips. Pesquisando a história do baiano cheguei ao nome de Jay Vaquer como o músico que gravou muitas guitarras tão características dessa fase inicial da obra de Raulzito. Ouça “Al Capone” e aqueles dois solos simultâneos com wah wah para ter uma idéia do que tou falando.

A história de Jay é muito interessante. Nascido em Morgantown, West Virginia, nos Estados Unidos, Jay é filho de um militar norte-americano e de mãe brasileira. Começou a tocar guitarra na Alemanha, onde o pai servia o Exército. Em 1969 casou-se com a cantora brasileira Jane Duboc (*), que tinha ido para a América do Norte.

Montaram uma banda baseada em Jimi Hendrix, Cream e Led Zeppelin, chamada Fane. Com essa banda vieram ao Brasil curtir e tocar em Belém e no Rio de Janeiro, bancados pelo sogro de Jay.

Numa visita a Teresópolis, o músico conheceu Raul Seixas, então produtor da gravadora CBS. Os dois se entenderam bem e Raul convidou a banda Fane para assinar um contrato e gravar um LP. O disco foi censurado pelas autoridades brasileiras, mas os dois músicos continuaram a parceria. Quando Raul finalmente lançou-se em carreira solo, Jay estava ao seu lado.

Raul viria a se casar com a irmã de Jay, Gloria Vaquer, e os dois tornaram-se cunhados. E onde eu queria chegar é no site de Jay Vaquer que descobri. Lá você pode ler (em inglês), causos incríveis que Jay viveu com Raul (no site, o link sobre a North American Alternative Society lista uma série de artigos assinados por ele em diversos veículos de comunicação).

Turnês pelo Brasil, doenças venéreas, macumba em Salvador, escaladas de montanhas no Rio, experiências de quase-morte, é uma coleção de histórias muito, mas muito boas mesmo, e eu recomendo. Há fotos de Raul, de Jay e de outros músicos brasileiros, como Marcos Valle, Laudir de Oliveira e umas surpresas. Vai lá.

(*) Ulysses Dutra é músico e jornalista catarinese (embora nascido em Três Rios, RJ). Publicou este texto originalmente em 30 de janeiro de 2007, em seu blog Esquerda Festiva. Relembrou dele agora, diante da estreia do documetário Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio, de Walter de Carvalho, e autorizou FAROFAFÁ a retomar o texto e o tema aqui. Recomendamos, também sobre Raul (e Angela Maria), o tópico-mashup “Duas Gotas” inventado pelo Ulysses “Esquerda Festiva” Dutra.

(**) Em atividade no Brasil, o cantor pop Jay Vaquer é, na realidade, filho do primeiro Jay Vaquer com a cantora paraense Jane Duboc. A propósito, Jane fez backing vocals em discos de Raul, sob o nome Jane Vaquer.

P.S.: Como o querido leitor Ricardo Morais lembrou logo após a publicação deste tópico, no início Jay Vaquer (pai) assinava seu nome como Gay Vaquer. FAROFAFÁ não sabe explicar o motivo da mudança (alguém?), embora até desconfie.

 

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