caetano segundo o genial nássara, no antigo ‘pasquim’

Fico feliz de ver que, finalmente, gente graduada do jornalismo começou a investigar o uso da Lei Rouanet para financiar atividades de ótima saúde comercial, atividades que podem viver de bilheteria e não precisariam de incentivo.
Teve um momento em que pensei que isso não interessava nem um pouco.
Em 30 de janeiro de 2007, publiquei em O Estado de S. Paulo a reportagem Quanto vale o show?, que mostrava quanto pediam para fazer shows, CDs e DVDs astros como Caetano Veloso, Ana Carolina, Daniela Mercury, Beth Carvalho, Carlinhos Brown. Beth Carvalho chegou a captar R$ 1,3 milhão para festejar seus 60 anos no Teatro Castro Alves, em Salvador.

http://www.eagora.org.br/arquivo/Quanto-vale-o-show/
http://www.cultura.gov.br/site/2007/01/30/quanto-vale-o-show/

Caetano não está pedindo dinheiro pela primeira vez para uma turnê (agora para Zii e Zie).
Já pediu anteriormente para os projetos audiovisuais Coração Vagabundo (R$ 831 mil, e captou R$ 250 mil) e Caetano Vida e Obra (R$ 1,3 milhão, e captou R$ 300 mil), para a turnê de A Foreign Sound (R$ 2,2 milhões, e não captou nada) e para a turnê Noites do Norte (R$ 1,8 milhão, dos quais R$ 500 mil foram captados).
Ou seja: o cantor já embolsou R$ R$ 1 milhão dos cofres públicos para financiar seus projetos artísticos. É um velho freguês da Lei Rouanet, que agora está tentando lhe fechar a porta. Talvez pudesse ser interessante também mostrar o seu histórico.
O discurso de Caetano é contraditório, de fato. Defende independência do Estado, mas quer depender do Estado.
Mas me pareceu meio preguiçoso pegar Caetano como bode expiatório. Ele não é o único. Encorajo os valentes (e velozes) descobridores de privilégios a irem adiante.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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