tá vendo aí o canto direito do blog? vai descendo a barra um pouquinho, vão aparecer a lista dos tópicos passados (o que passou passou?), depois uns ícones esquisitinhos. um deles é novinho em folha, foi colocado nesta madrugada. está escrito “some rights reserved”, dá um clique e olha por dentro.

o que tá escrito ali é que aderi (antes tarde do que nunca) à licença creative commons, sob a inspiração de episódios recentes aqui no blog (& fora dele), em informações trazidas para cá por vange leonel e no livro “cultura livre”, de lawrence lessig, que estou lendo gulosamente desde ontem.

minha licença de “criativo comum” prevê que você, que está lendo isto aqui/isto aqui/isto aqui, pode copiar, distribuir, exibir e executar livremente os textos deste blog. e também pode criar obras derivadas dele. desde dê crédito em alto e bom som ao autor da obra original – ou seja, euzinho da silva.

na real, você pode até mesmo usar os textos e/ou (e? ou?) recriações-derivações com fins comerciais. desde que tenha a expressa autorização do autor da obra originaleuzinho de souza, nunca é demais relembrar. recordar é viver.

são métodos e ferramentas deste nosso “brave new world”, que a leitura do livro de lessig me faz considerar extraordinárias, geniais, a própria reencarnação de tudo o que envelhecera no novo e ainda pequetico século xxi.

para treinar (êita, nada muito diferente do que eu já vinha fazendo por instinto, sem entender nada de copyrights, copylefts e copythefts), vamos brincar um pouquinho com estes novos conceitos tão sólidos que quase se desmancham no céu da boca?

começarei “sampleando” o prefácio à recém-lançada edição brasileira, escrito pelo doutor em direito ronaldo lemos, que é O cara dos “creative commons” no brasil. bricolando, coloco em negrito os trechos do ronaldo que mais me interessam. e em [negrito entre colchetes] meus próprios comentários & intervenções às proposições do lemos.

tá vendo?, citei a fonte, dei crédito, coloquei-me dentro das “brave new laws”, das bravas novas leis.

ronaldo + lemos é = a ronaldo lemos, como 2 + 2 = 5. lemos ao leme:

“você está lendo esse livro porque ele é licenciado através de uma licença chamada ‘creative commons’ (www.creativecommons.org). ela permite a você e a qualquer pessoa copiar e distribuir na íntegra o livro, desde que seja para fins não comerciais. ela também permite que você faça obras derivadas do livro, como por exemplo traduzi-lo para outras línguas. (…)

[foi isso que permitiu a livre tradução do livro para o português do brasil, sob os auspícios do projeto subversivo trama universitário (endereçado adivinha a quem?), da trama, gravadora que muitos de nós adoram odiar. essa piração é gotinha da cascata que derrama, diz o lessig, desde o advento da internet. e dos efeitos e perplexidade que este “big brother” às avessas causou, causa e causará.]

(…) essa perplexidade, compartilhada por muitos, ainda não tinha nome ou forma. ela se manifestava na certeza de que internet era um elemento de transformação social, que possibilitaria um acesso ilimitado e livre ao conhecimento. que possibilitaria uma transformação no modo como a cultura é produzida e circulada. sobretudo, que levaria à criação de uma ‘sociedade criativa’, superando definitivamente a idéia de que criatividade depende de ‘indústria’.

[quem aqui depende, para se expressar, de indústria? de indústria fonográfica, literária, jornalística, radiofônica, televisiva etc. etc. quem, quem, quem?]

(…) ao mesmo tempo, lessig contrapõe os vários casos relatados no livro com a ampliação da ‘cultura do remix‘, a cultura da colagem [pronto, colei!], em que o processo de criação usa de forma não só indireta, mas também direta, outras obras como elemento de construção da obra final. é a cultura como matéria-prima da própria cultura. (…) essa nova cultura só apresenta um problema: ela é ilegal [me diga, amigo meu, o que posso fazer, se tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda? alô, roberto & erasmo carlos!]. graças ao sistema de direitos autorais que herdamos do século xix e que continua a ser sistematicamente ampliado ao longo do tempo (…), cada obra ou artefato cultural existente na internet ou em qualquer outro lugar tem dono [diz qual é o nome do dono da terra, que inventou a (cyber)terra, o (cyber)céu e o (cyber)mar? alô, abelhudos!, alô, renato corrêa & nair cândia!]. e utilizar a obra, para qualquer finalidade (copiar, distribuir, alterar, modificar etc.) é uma violação dos direitos de propriedade do autor ou de seus intermediários.

a conseqüência é uma ironia de massas. as ferramentas tecnológicas disponíveis no mundo hoje permitem a qualquer pessoa possibilidades criativas jamais sonhadas. um número gigantesco de pesoas usa cotidianamente essas ferramentas, em seus sites, blogs [soy yo! nosotros!], fotologs ou mesmo incluindo textos e imagens em trabalhos de colégio. apesar disso, do jeito como é hoje, essas atividades devem continuar relegadas à posição de mero ‘hobby’ ou divertimento doméstico [tá, tenho me divertido à beça, mas isto aqui também é trabalho duro & suado, meu. respeitem meus cabelos, brancos! alô, chico césar!]. isso porque sempre estamos sob o risco de sermos processados pela violação da [tradição, família &] ‘propriedade’ de alguém. em outras palavras, cada vez temos mais acesso a recursos criativos que eram privilégio das grandes empresas de mídia, mas devemos nos abster de usar esse poder ‘seriamente’ [pois sim, pois sim, porque “séria” é a “veja”, que passa por aqui e afana informação a seu bel-prazer, né? ela “pode” e nós não “podemos”, é assim que funciona? ahã, agora conta outra], gerando desenvolvimento, conhecimento e acesso.

lessig sempre defendeu que a cultura do remix é aquela que vai derrubar as barreiras entre criador e ‘consumidor’ da cultura. entre artista e público. entre estado e cidadão. [aaaaah! somos nós! somos nós! somos nós! puta orgulho deste blog-comunidade!, é todo mundo junto no um! alô, baby do brasil!] a mesclagem é o elemento formador da sociedade cultural, em detrimento à indústria cultural centralizada. o instrumento para retardar essa quebra de barreiras e a construção de uma sociedade autônoma é jurídico.

[um momento, por favor, para um aparte, um importante aparte. e se começássemos a brincar, aqui no nosso blog, de produzir responsabilidade e autoria individual & coletiva? eu proponho, eu te proponho (alô, rei!, alô, príncipe!) que brinquemos, neste blog, de assinar sempre nossos nomes por inteiro, a cada comentário que fizermos. para que os criativos comuns pertençam a todos nós & a cada um de nós. para que cada um de nós cultive a completa propriedade & autoridade & responsabilidade sobre suas próprias palavras & idéias, que assim poderão ser copyleftadas ad infinitum, com o devido crédito de cada autor-criador-cidadão-instigado da cadeia produtiva (e não predatória). não será uma imposição nem uma regra a ser obedecida, ninguém será punido por “sair da linha”. mas, ah, vá, puxa?, bem que seria bem legal e bacana, né? estamos fazendo história, e quem está na chuva é para se queimar (alô, vicente matheus).]

(…) seja por nossas raízes antropofágicas ou por nossa vocação tropicalista [viva a banda-da-da carmen miranda-da-da-da-da!, obrigado, senhor caetano veloso!], mas o fato é que o brasil vem-se tornando um dos líderes globais da cultura livre. (…)

[alô, mano brown, nega gizza, mv bill e deize tigrona. o brasil vai-se tornando um dos líderes globais da cultura livre. um dos líderes globais da cultura livre. scratch. um dos líderes globais da cultura livre. alô, cultores do “brasileirismo do não”. o século ainda é pitoco, mas virou, já vira-virou. você tem olhado ao redor, admirado a paisagem desta casa muito engraçada que não tinha porta, não tinha nada (alô, vinicius de moraes!, alô, boca livre!, alô, fernando faro!, alô, torcida do gilflamengo!, aquele abraço!)?]

e qual o impacto de um projeto como este para a cultura brasileira? os exemplos são abundantes. o mais conhecido é o apoio do ministro gilberto gil ao projeto, tanto como músico quando como ministro de estado. como músico, licenciando obras suas para serem livremente distribuídas e remixadas, dando um dos primeiros exemplos globais do uso da licença de sampling. como estadista através da implementação dos pontos de cultura, estúdios de produção cultural multimídia, com acesso à internet, espalhados por todo o brasil nas áreas de menor índice de desenvolvimento humano. [alô, alô, responde, com toda sinceridade (alô, alô, andré filho!, alô, alô, maria alcina!), você que acha que gilberto gil não está fazendo nada como ministro e que o atual governo é o “mais medíocre”: você acha mmeessmmoo isso? você tá olhando direitinho ao redor, tá prestando atenção? cê tá entendendo? (alô, são arnaldo baptista!, alô, dra. mme. rita lee!)?]

toda a rede de pontos de cultura propicia as ferramentas básicas para que comunidades de todo o brasil que nunca tiveram meios de se manifestar culturalmente possam fazer isso através de música, imagem e texto. o creative commons é parte desse projeto, já que a idéia de generosidade intelectual é a força motriz que move milhares de voluntários trabalhando no projeto em todo país. [é ela! a generosidade intelectual! basta de clamares mesquinharia (alô, são cartola!)! é ela, a generosidade! alô, vange leonel!, obrigado!] só faz sentido produzir cultura em um ponto de cultura de belém do pará puder dialogar com o de heliópolis em são paulo. um remixando o outro. o brasil descobrindo os brasis.

[alô, mangue bit! câmbio, olinda & recife. alô, rock gaúcho! câmbio, hip hop & funk carioca. alô, alô, multidões barulhentas produtoras da criação marginalizada que não depende de porra de indústria nenhuma. alô, alô, terezinha!, alô, alô, seu chacrinha!, alô, alô, seu ministro!, alô, alô, maroca, poroca & indaiá! o síndico tim maia mandou avisar (alô, jorge ben jor!): basta de clamares dependência & inocência (in)útil.]

além do ministério da cultura, o ministério da educação lançou em parceria com o creative commons a pioneira iniciativa do portal domínio público (www.dominiopublico.gov.br). trata-se de um vasto acervo de obras que já se encontram em domínio público no brasil. lá é possível encontrar bernardo guimarães, álvares de azevedo e qorpo santo. qualquer pessoa pode também colocar suas criações no site. (…)

[hey, cê tá entendendoooooo?!?! o minimistério do governo brasileiro já disponibiliza, inteiramente de graça para você (ou você, como lula, também não gosta de ler?), romances da literatura universalbrasileira! é esse governo que você so vê como “corrupto” e “fracassado”? ah, então vá se roçar nas ostras (alô, minha mana myriam!). ah, há no mundo coisa mais linda do que um dos primeiros livros brasileiros a receberem cyber-alforria ser “a escrava isaura”, o romance romântico de bernardo guimarães, o da escrava branca açoitada no tronco da indústria canavieira? lerê, lerê, vida de nego é difícil!, alô, são dorival caymmi!, alô, querubim rappin’ hood!]

o caminho está sendo trilhado de baixo para cima, de modo que a sociedade tome para si a responsabilidade de emancipar a si mesma. (…)”

[eis, vange, chegamos ao cerne de tudo, ao “criativo comum”. responsabilidade, responsabilidade, responsabilidade. scratch. emancipação, emancipação, liberdade. atividade, atividade, atividade (alô, fausto fawcett & carlos laufer!, alô, fernanda abreu!). scratch. atitude, de baixo para cima. o de cima sobe e o de baixo também sobe, alô, chico science!, ó, vida bandida (alô, lobão!), por que você e cássia eller não esperaram para ver o maracatu atômico passar (alô, jorge mautner & nelson jacobina!), para ver o segundo sol chegar (alô, nando reis!)?. generosidade, generosidade, generosidade.]

está aí, pois, era isso. antes de terminar, somente uma pílula de lawrence lessig, que lawewnce é a fonte nutriz do papo todo e lessig só passou por aqui de raspção: “nunca em nossa cultura uma parte tão grande pertenceu à propriedade privada como agora. e, ainda assim, a concentração de poder para controlar o uso da cultura nunca foi aceita com tão pouca contestação quanto hoje“. é que toda nossa generosidade, eu diria, andou cruelmente direcionada apenas para o bem “comum” de nossas indústrias & comércios, às quais sempre “todos os direitos são reservados”. com todo respeito, responsabilidade & amor, tá na hora de “reservar alguns direitos” de nossa autogenerosidade para nós mesmos [siiiiim!], para o bem coletivindividual de nossa tão comum criatividade.

lawrence + lessig é = a lawrence lessig, como 2 + 2 = 5, e como são criativos os comuns.

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