sexta-feira, setembro 20, 2019

Alzira, navalha na carne

Primeiro, ela engavetou o sobrenome Espíndola e virou Alzira E. Atualmente, desdiz-se até mesmo como Alzira e prefere ser integrante qualquer da banda Corte, completada por três rapazes da big band afropaulistanabeat Bixiga 70 - Marcelo Dworecki, Daniel Gralha e Cuca Ferreira -, mais Fernando (ou Nandinho) Thomaz. A única mulher da banda é líder que não quer se dizer líder, nem sequer proclamar seu nome. Parceira essencial de um dos mais...

Índia, seus cabelos grisalhos

Tetê Espíndola sempre habitou um lugar à parte nas gavetas em que se costumam guardar os valores da música popular brasileira. Fala sobre esse não-estar de um modo sutil no álbum mais recente, batizado Outro Lugar. Outro lugar, para a cantora e compositora de 64 anos, é a cidade onde nasceu, Campo Grande, localidade interiorana do Mato Grosso que mais tarde, em 1979, seria promovida...

Índios na garganta

Em 30 de agosto de 2016, um dia antes da deposição definitiva de Dilma Rousseff no Senado, Tetê Espíndola falou sobre seu primeiro álbum independente, Pássaros na Garganta (1982), em entrevista a propósito de um show inspirado naquele trabalho fundador - mas que, por contingências da vida, permaneceu inédita por dois anos. Leia e/ou veja abaixo o passeio da cantora e compositora sul-matogrossense pela terra natal, pela música sertaneja...

Lucina, voz de árvore

Lucina Carvalho, ou simplesmente Lucina, já foi Lucelena, Lucinha, metade de Luli & Lucina. Não foi tantas por crise ou falta de identidade, mas antas, talvez, pela dificuldade de encontrar um lugar para chamar de seu ao sol da música popular brasileira, dessa MPB que foi e é tão profundamente masculina nos gabinetes quanto democraticamente pansexual nos bicos de palco. Ainda menina,...

Joyce, musa de si mesma

Joyce Moreno nasceu de "produção independente" em 1948, 40 anos antes de a conservadora sociedade brasileira considerar aceitável um dado como esse para uma mulher. Aos 20, no ano do AI-5, estreou em LP solo de compositora que hoje seria assimilado sem grandes traumas como "feminista" (palavra rara no Brasil de 1968). Ali, a jovem educada em colégios católicos...

A voz do morto sussurra

Não sabemos bem qual é, mas deve haver um fio narrativo unindo as obras do cineasta carioca Eduardo Ades, que coloca em cartaz agora seu segundo documentário em longa-metragem, Torquato Neto - Todas as Horas do Fim, dirigido em dupla com o produtor musical também carioca Marcus Fernando. O primeiro filme foi Crônica da Demolição (2015), sobre a ascensão e queda do mitológico Palácio...

Uma janela para o mundo

Quando, aos 25 anos, Egberto Gismonti inventou uma canção "encrencada" chamada Janela de Ouro (A Traição das Esmeraldas), ele provavelmente não sabia que estava prefigurando a própria trajetória no mundo. "A janela do mundo é o Carmo, rapaz", diz, de volta à palavra recorrente e ao Carmo, a pequena cidade fluminense onde nasceu, na divisa com Minas Gerais, filho da...

Fora Temer volta Belchior

1. Jotabê "Para mim, a beleza é um subproduto da arte", disse o compositor e cantor cearense Belchior em 1976, no auge da fama e do prestígio devidos ao acolhimento das canções "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida" por Elis Regina e ao álbum próprio Alucinação. Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que é sobre este artista que estamos falando, a propósito da edição...

Aldir Blanc em estado de exceção

Aldir Blanc não é um contemporizador. Aos 71 anos, rema contra a maré contemporizadora da maioria de seus pares e faz as honras de compositor de peças colossais da música brasileira como "O Mestre-Sala dos Mares" (1974), "De Frente pro Crime", "Corsário" (1975), "O Rancho da Goiabada" (1976),  "Tiro de Misericórdia" (1977), "Querelas do Brasil" (1978), "O Bêbado e...

A refavela desvenda 2017

"O filho perguntou pro pai/ onde é que tá o meu avô/ o meu avô onde é que tá/ o pai perguntou pro avô/ onde é que tá meu bisavô/ meu bisavô onde é que tá/ avô perguntou bisavô/ onde é que tá tataravô/ tataravô onde é que tá." Por um desses lapsos no espaço-tempo, as perguntas sem resposta...