Ana Luiza, de 15 anos, estudante de música, testa a as teclas que ainda tocam algum som no piano Fritz Dobert destruído pela Prefeitura de São Paulo

Atendendo a um pedido do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e da atriz e diretora Sara Antunes, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, realizou uma audiência na tarde desta terça-feira, 18, para analisar o caso do Teatro Ventoforte, destruído pela Prefeitura de São Paulo na última quinta-feira, 13, no Parque do Povo, em São Paulo. A ministra prometeu enviar essa semana representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Fundação Nacional de Arte (Funarte) para visitar o local e decidir qual será a estratégia para restabelecer as condições físicas do cinquentenário espaço de experimentos cênicos do País.

Na audiência, Boulos reivindicou, além da intervenção do governo federal, recursos imediatos para a reconstrução do espaço, que também abrigava há 40 anos a Escola de Capoeira Angola Cruzeiro do Sul, de Mestre Meinha, uma das três únicas daquela região paulistana. Até esse momento, a secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo não se pronunciou a respeito da demolição.

A prefeitura de São Paulo informou que atendeu a um pedido da Sociedade de Amigos do Itaim Bibi. A entrada dos tratores, entretanto, não obedeceu a nenhum rito legal e muito menos de civilidade, e milhares de objetos (incluindo instrumentos musicais) também foram destruídos na invasão. A violência da ação chamou a atenção até fora do País – de Nova York, o diretor Gerald Thomas gravou um depoimento indignado.

ATUALIZAÇÃO (22H58):

Após a publicação da notícia acima no FAROFAFÁ, o Ministério da Cultura (MinC) divulgou a seguinte nota sobre a questão:

NOTA OFICIAL

O Ministério da Cultura realizou nesta terça-feira (18), uma reunião para discutir a situação das sedes do Teatro VentoForte e da Escola de Capoeira Angola Cruzeiro, ambas na capital paulista, que foram destruídas pela Prefeitura de São Paulo no último dia 13. Durante o encontro, ficou definido que representantes da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao MinC, farão uma visita técnica ao local e o Governo Federal irá avaliar as possibilidades de reconstrução dos espaços.

A audiência com o MinC foi solicitada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL/SP) e contou com a presença da ministra Margareth Menezes, do secretário-executivo, Márcio Tavares, da presidenta da Funarte, Maria Marighella, do diretor-executivo da Funarte, Leonardo Lessa, e de integrantes do grupo de teatro VentoForte e da Escola de Capoeira.

“A magnitude dessa destruição reforça a necessidade de políticas públicas que tratem o patrimônio cultural com o respeito que ele merece. Estamos empenhados em ouvir as demandas, analisar a situação de forma jurídica e construir, junto com os parceiros, caminhos que protejam nossos equipamentos culturais,” ressaltou a Ministra. Ela destacou ainda que o episódio mobilizou diversas esferas da sociedade e sublinhou a importância de coordenação entre os governos federal, estadual e municipal.

O secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, explicou que a pasta já trabalha em estratégias para apoiar a requalificação dos equipamentos culturais afetados. “Nossa tarefa é investigar as possibilidades existentes e, em parceria com os entes federativos, desenvolver medidas concretas para recuperar esses espaços, garantindo que episódios como este não se repitam”, afirmou.

O deputado Guilherme Boulos enfatizou a gravidade do ocorrido e salientou a urgência em transformar o episódio em uma oportunidade de diálogo e reparação. “Esse episódio representa um ataque direto à cultura e à memória do nosso povo. Precisamos transformar essa dor em ações concretas e articular um diálogo efetivo para reconstruir e preservar o legado do Teatro VentoForte e da Escola de Capoeira Angola Cruzeiro do Sul,” declarou.

Por videoconferência, os representantes do Teatro e da Escola manifestaram a urgência por medidas efetivas de reparação e reforçaram que os locais destruídos, sem nenhum aviso, não eram apenas edificações, eles garantiam a preservação e difusão das culturas tradicionais e populares em São Paulo e guardavam um acervo de 40 anos de história.

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