"Vai e Vem". Frame. Reprodução
"Vai e Vem". Frame. Reprodução

Duas amigas vivendo em hemisférios diferentes durante o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 se comunicam através de videocartas, exercício em igual medida afetivo e político.

“Vai e Vem”, da mexicana Chica Barbosa e da brasileira Fernanda Pessoa, o filme fruto deste exercício, “diálogo fílmico”, como elas mesmas se referem à obra, acompanha parte do período em que Donald Trump e Jair Bolsonaro conspurcaram as cadeiras de presidente da República nos Estados Unidos e no Brasil, respectivamente.

Documentário experimental, “Vai e Vem” acompanha esta relação de amizade, sororidade e esforço de compreensão do mundo, diante da negligência dos citados governos para com a população, em especial no quesito saúde pública, mas não só.

Via de mão dupla, a preocupação de uma amiga para com a outra neste momento histórico recente é o ponto de partida da obra cinematográfica, a partir de suas percepções de que mensagens de texto e áudio em aplicativos não eram suficientes para dar conta daquela realidade distópica.

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Há rigor no método: a base está na leitura de “Women’s Experimental Cinema: Critical Frameworks” (Duke University Press, 2007, sem tradução no Brasil), organizado pela professora americana Robin Blaetz. O livro reúne 16 artigos, abordando a obra de cineastas experimentais mulheres, nas quais as videocartas se inspiram. Cada diretora tinha entre duas e três semanas para realizar cada videocarta, com entre dois e três minutos.

A troca cinematográfica de abraços entre as diretoras de “Vai e Vem” se estende aos espectadores: todos que vivemos o período conturbado em que se passa o filme temos lembranças, a maioria, infelizmente, desagradáveis. Transpor isto para a tela e fazer arte a partir do caos e da destruição são os grandes trunfos do cinema feminista de Chica Barbosa e Fernanda Pessoa.

"Vai e Vem". Cartaz. Reprodução
“Vai e Vem”. Cartaz. Reprodução

Serviço: “Vai e Vem” (documentário/experimental, Brasil, 2022, 72 minutos, classificação indicativa: 14 anos), de Chica Barbosa e Fernanda Pessoa. Estreia hoje (16) nos cinemas brasileiros.

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