"Luiz Gonzaga Jr.". Capa. Reprodução
"Luiz Gonzaga Jr.". Capa. Reprodução

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (1945-1991), filho de Luiz Gonzaga (1912-1989), o rei do baião, assinou discos com os nomes artísticos de Luiz Gonzaga Jr. e Gonzaguinha. Com o primeiro assinou o inspirado álbum de estreia, em 1973. Luiz Gonzaga Jr. (Emi-Odeon), o álbum, contém um dos maiores sucessos do autor em sua própria voz: a subversiva “Comportamento Geral” – pelo adjetivo, convém lembrar que o Brasil vivia à época sob uma ditadura militar, então em seu período mais sangrento.

Em 10 faixas, Gonzaguinha desfila seu talento e versatilidade em um consistente álbum inaugural (já havia gravado compactos e sido gravado pelo pai). Tanto que em pouco tempo se firmaria como fornecedor de sucessos de Gal Costa (1945-2022) (“O Gosto do Amor”, 1978), Nana Caymmi (“Palavras”, 1979) e principalmente Maria Bethânia (“Começaria Tudo Outra Vez”, 1977, “Explode Coração”, 1978, e “Grito de Alerta” e “Infinito Desejo”, 1979), entre outros.

Inteira e solitariamente composto por Gonzaguinha, o álbum tem, em boa parte, uma pegada abolerada, mas os destaques ficam mesmo por conta de “Palavras” e “Comportamento Geral”, ambas contestatórias ao regime dos generais – “com tempo ruim todo mundo também dá bom dia”, diz  verso da primeira; a segunda repetiu o sucesso também na regravação de Elza Soares (1930-2022) em Planeta Fome (2019) – dele, ela regravaria também “Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória”, no mesmo álbum.

A terceira faixa do lado a, “Página 13”, é um lado b da carreira de Gonzaguinha que merece (mais) atenção: a música é uma crônica brutal (e infelizmente ainda atual) sobre feminicídio (antes mesmo de o termo existir), infanticídio e suicídio. E há ainda “Moleque”, reminiscências da infância no Morro de São Carlos, no Estácio, que viria a batizar o álbum que o cantor e compositor lançou em 1977.

Luiz Gonzaga Jr. tem direção de produção de Milton Miranda, direção musical de Lindolfo Gaya (1921-1987) e arranjos de J. T. Meirelles (1940-2008). 50 anos depois de lançado, a reedição do álbum pela Universal Music atesta o frescor e a atualidade da obra de Gonzaguinha, uma das mais instigantes e contestadoras vozes já surgidas no cenário da música popular brasileira em qualquer tempo.

*

Ouça Luiz Gonzaga Jr.:

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome