Vladimir Putin e Oliver Stone
Vladimir Putin e Oliver Stone - Foto divulgação

“Os presidentes do seu país mudam, mas a política não muda”, afirma o presidente russo Vladimir Putin no primeiro episódio de Entrevistas com Putin, olhando nos olhos do interlocutor, o cineasta estadunidense Oliver Stone. Exibida originalmente em 2017, a série documental em quatro episódios não havia despertado o interesse dos meios exibidores do Brasil, até que o jornalista Fernando Morais tivesse a ideia de solicitar a Oliver Stone os direitos de exibição no País. Entrevistas com Putin começou a ser exibida no dia 10 e prossegue por mais três sextas-feiras, no blog Nocaute, de Morais, e no canal TVT. Os episódios ficam depois disponíveis no canal de YouTube do blog.

“É muito bom que essa série seja exibida no Brasil exatamente no momento em que se está discutindo a legalidadade das eleições de 2018 e o bote das multinacionais na soberania brasileira”, diz Morais. “Enquanto o Brasil estava sendo pilhado eletronicamente pelos Estados Unidos, isso já estava sendo denunciado numa das entrevistas do Putin.” A soberania russa e o confronto com os EUA são abordados reiteradamente pelo governante, que soa mansamente irônico ao tratar os norte-americanos como “nossos amigos” e “nossos parceiros”.

O embate com o diretor de Nascido em 4 de Julho (1989), JFK (1991), Nixon (1995) e As Torres Gêmeas (2006) é revelador em diversas passagens. Stone tenta afetar intimidade com Putin, que responde com frieza e solenidade. Os lados sombrios de Putin transparecem em falas como “não sou mulher, então não tenho dias ruins”, do primeiro episódio. “É um negócio bem-feito, profissional sem ser chapa-branca”, opina Morais. “Ele põe o Putin em sinuca de bico várias vezes, seja com questões políticas, seja com questões de liberdade democrática, seja por questões de costumes. Não é um desses cirurgiões plásticos que fazem um lifting no personagem.”

“A primeira versão que vi, antes de pensar em pedir ao Oliver a cessão dos direitos, foi a mexicana, numa TV dessas do milionário lá, não TV de organização social”, Morais ironiza o desinteresse de Globo e aparentadas. “Bombou em todos os lugares, inclusive nos Estados Unidos.”

 

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