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A Agência Nacional de Cinema (Ancine) se prepara para cumprir ordem judicial

A exoneração esta manhã de Mastroiane Bento Dias, servidor afastado por se recusar a paralisar serviços de análise de financiamento de filmes na Agência Nacional de Cinema (Ancine), repercutiu dentro e fora da instituição. No Congresso, deputados articulam uma convocação do diretor-presidente interino da Ancine, Alex Braga Muniz, para explicar a ação deliberada que o órgão move em movimento contrário à sua função de fomento de projetos audiovisuais. Dentro da agência, a insatisfação de servidores com a demissão de Mastroiane, tido como correto, eficiente e atento às questões de segurança jurídica, atingiu o ápice ontem com o pedido de exoneração do servidor Ramon Garcia Xavier, técnico da Superintendência de Desenvolvimento Econômico (SDE), solidário a Mastroiane. Diversos servidores têm manifestado nas redes sociais seu repúdio pelo afastamento, que julgam perseguição.

Em sua carta de despedida, Ramon Garcia Xavier descreve o clima pesado que pairou na Ancine desde que a antiga diretoria foi afastada sob acusações diversas (de quebra de sigilo funcional a improbidade administrativa), que acabou impactando na sua vida pessoal. “Embora discordando em diversos pontos (da atual gestão da Ancine), reconheço que nunca fizeram nada efetivamente para tentar me prejudicar e me deixaram trabalhar em paz, o que já significa muito comparado ao ex-diretor afastado”, argumentou o funcionário, que atuou em uma força-tarefa para diminuir o passivo de produções que é alvo de ação do Tribunal de Contas da União.

Mastroiane Bento Dias era coordenador da Gestão de Negócios da Ancine. Hoje mesmo já foi publicado, no Diário Oficial da União, o nome do seu substituto, Guilherme Bonfim, que atuava como assessor do diretor substituto Edilásio Barra, conhecido como pastor Tutuca. Com o término do mandato de Tutuca, Bonfim foi acomodado em outro cargo e não ficará um dia sequer desempregado – ele integrava a gestão de Christian de Castro, ex-diretor presidente afastado da Ancine por irregularidades e ilegalidades. Muitos dos integrantes daquela gestão estão sendo reabilitados pelo grupo que se instalou agora na Ancine, caso da ex-ouvidora Carolina Cazarotto, que foi cedida à Procuradoria Federal no Estado do Espírito Santo (com remuneração a cargo da Ancine). Servidores que se recusam a participar da estratégia de paralisação deliberada das atividades são imediatamente exonerados – no dia 4 de maio, foi afastado Rafael dos Santos, da Superintendência de Desenvolvimento Econômico, pelo mesmo motivo de Mastroiane. Simultaneamente, são contratados novos servidores que têm relações com partidos políticos da base de apoio ao governo Bolsonaro ou a grupos ligados às milícias do Rio.

 

 

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