A cantora e compositora Marina Iris - foto: Pedro Curi/ divulgação
A cantora e compositora Marina Iris - foto: Pedro Curi/ divulgação

Banzo é como ficou conhecida a saudade que acometia pessoas escravizadas trazidas à força da África para o Brasil, quando o país ainda era uma colônia. Batucada qualquer brasileiro sabe o que é, em suas múltiplas formas e significados, inclusive como um quase sinônimo de samba.

Ao juntar as duas palavras no título de seu quinto álbum, a cantora e compositora Marina Iris dá a primeira mostra da força de sua homenagem ao cantor e compositor Wilson Moreira (1936-2018) — sua  saudade e sua música —, que completaria 90 anos no próximo dia 12 de dezembro.

O álbum vai além da mera regravação de sucessos — e não são poucos os de sua lavra. Além de fugir do óbvio, evitando clássicos absolutos como “Gostoso veneno”, “Goiabada cascão”, “Coisa da antiga” e “Deixa clarear”, é aberto e fechado por músicas inéditas — “Mestre Wilson soberano” (Marina Iris e Manu da Cuíca) e “Moringa do Moreira” (Marquinho China e Luiz Carlos Máximo), respectivamente —, ampliando o tributo e o mergulho no universo do artista, já gravado por nomes como Alcione, Beth Carvalho (1946-2019), Clara Nunes (1942-1983) e Elizeth Cardoso (1920-1990), entre muitas e muitos outros.

Marina Iris confessa sempre ter tido vontade de gravar Wilson Moreira, mas seus quatro álbuns anteriores acabaram levando-a por outros caminhos. A efeméride vindoura revelou-lhe o tempo certo. A artista acerca-se de grandes nomes da música brasileira para a merecida homenagem. A “Banzo batucada” (Biscoito Fino, 2026) comparecem desde parceiros de Moreira a artistas que tiveram contato com ele e mesmo admiradores de sua obra e identificados com causas trazidas nela pelo “velho mestre”, como se refere a Grande Otelo (1915-1993) em “Okolofé”, homenagem ao ator, que conta com a participação especial do Coro de Artistas de Teatro.

O parceiro Zeca Pagodinho é o convidado de “Moenda velha” (Wilson Moreira e Zeca Pagodinho); a portelense Teresa Cristina dueta com Marina Iris em “Alegria Perdida” (Candeia [1935-1978] e Wilson Moreira) — Wilson Moreira foi fundador da Mocidade Independente de Padre Miguel, mas depois passou a colaborar com a Portela —; Jorge Aragão é o convidado de “Quintal do céu”, parceria dele com Moreira; Juliana Linhares e Chico César comparecem ao medley “Canteiro de obra” (Wilson Moreira e Sérgio Fonseca)/ “Amanhã será melhor” (Wilson Moreira e Solano Trindade); parceiro mais constante de Moreira, Nei Lopes se faz presente em “Jongo do Irmão Café” (Wilson Moreira e Nei Lopes), com o Terreiro de Crioulo; e Marquinho China, Gabrielzinho do Irajá e Mosquito são os convidados da citada “Moringa do Moreira”. 

Alaan Monteiro (bandolim), Gabriel de Aquino (violão) — músicos que assisti acompanhando o cantor e compositor João Cavalcanti em show no Clube do Choro de Brasília, também em homenagem a Wilson Moreira —, Alessandro Cardozo (cavaquinho), Jota Moraes (teclado e piano), Paulão 7 Cordas, Pretinho da Serrinha (percussão), Rafael dos Anjos (violão) e Vitor de Souza assinam os arranjos do álbum. A ficha técnica traz ainda nomes como Paulo Bonfim (bateria), Julio Florindo (baixo), Fabiano Segalote (trombone), João Duarte (percussão), Pedrinho Ferreira (percussão), Larissa Umayta (percussão), Vinícius Magalhães (violão sete cordas) e Dirceu Leite (flauta, clarinete e saxofone), além do maestro Jaime Alem (viola caipira em “Canteiro de obra”/ “Amanhã será melhor”).

A homenagem ao velho Alicate tem a mesma força de seu aperto de mão, o que lhe rendeu o apelido. Espraia-se em brasilidade, para além do samba. Bebe em sua fonte ancestral ao mesmo tempo em que aponta para o futuro, demonstrando sua influência e inspiração ao valorizar seu legado, além da atualidade de sua obra, que continua a abrir e iluminar caminhos.

"Banzo batucada - Marina Iris canta Wilson Moreira" - capa/ reprodução
“Banzo batucada – Marina Iris canta Wilson Moreira” – capa/ reprodução

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Ouça “Banzo batucada”:

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