Theo (Maleaume Paquin) e Laurent (François Damiens) em cena de "Meu filho é um craque". Frame. Reprodução
Theo (Maleaume Paquin) e Laurent (François Damiens) em cena de "Meu filho é um craque". Frame. Reprodução

O alcoolismo e o desalento são o pano de fundo da ótima comédia dramática “Meu filho é um craque”, do diretor francês Julien Rappeneau. Baseado na graphic novel “Una pequeña mentira”, de Mario Torrecillas e Artur Laperla, o filme estreia nesta quinta (24) nos cinemas brasileiros – no período em que o futebol, outro assunto abordado pela obra, domina todas as atenções, com a Copa do Mundo do Qatar.

Como todo grande filme, “Meu filho é um craque” é obra de várias camadas. O afeto e o abandono paterno se encontram com a mentira, que tenta resolver a equação. Mas a coisa acaba fugindo do controle – no fim, em meio ao sonho de Theo (Maleaume Paquin), pequeno (motivo que o leva a não ser escolhido em uma peneira para jogar no Arsenal) em grande atuação, a reviravolta acontece, em resultado comovente.

Theo começa a mentir, dizendo ter sido selecionado para o clube, o que mobiliza a família, o pequeno clube de sua cidade em que se destaca como atleta amador e onde foi visto pelo olheiro, o bar que seu pai frequenta e, de resto, toda a comunidade de seu entorno. O garoto segue em frente com o bom propósito de salvar ao próprio pai, enredado pelo alcoolismo e a consequente autodestruição: empolgados com a possibilidade de se mudar do “buraco” onde vivem para Londres, começam a treinar juntos e é notória a melhora na qualidade de vida de Laurent (François Damiens), considerado o maior empecilho – além do fato de a seleção ser inverídica, é claro – para o voo do filho.

Longe de qualquer apologia à mentira, sobretudo vivendo em um país governado por ela (fake news é eufemismo) ao longo dos últimos quatro anos, o grande lance de “Meu filho é um craque” é a inversão, como a evocar o Machado de Assis de “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881): “o menino é pai do homem”.

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Uma grande partida, digo, um grande filme de Julien Rappeneau, com atuações destacadas do time, digo, elenco, merecendo destacar, entre outras, Ludivine Sagnier, como a mãe de Theo, Laetitia Dosch, como uma assistente social às voltas com uma sobrecarga de trabalho que inclui ainda o processo de guarda do protagonista, e André Dussollier, que interpreta o treinador do clube em que o astro-mirim treina, usando frases do holandês Johan Cruijff e do brasileiro Pelé para motivar a gurizada a ir em busca de seus sonhos.

Meu filho é um craque. Cartaz. Reprodução
Meu filho é um craque. Cartaz. Reprodução

Serviço: “Meu filho é um craque”, de Julien Rappeneau. França, 2019, 105 minutos. Estreia nesta quinta (24) nos cinemas brasileiros.

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Assista ao trailer:

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