O autor Cristiano Mota. Foto: Acervo pessoal. Reprodução
O autor Cristiano Mota. Foto: Acervo pessoal. Reprodução

O músico e compositor Cristiano Mota nasceu em São Luís em 1958 e se mudou para o Rio de Janeiro em 1980. Àquela altura, o irmão Ronaldo Mota já havia tido sua “Boi de Catirina” gravada por Papete em “Bandeira de aço” (Discos Marcus Pereira, 1978). Os dois são parceiros musicais em outras composições e a paixão de Cristiano pelo bumba meu boi e outras manifestações da cultura popular do Maranhão é responsável pelo artista nunca ter perdido o vínculo com a terra natal.

Amanhã (11), às 19h, na Livraria e Espaço Cultural Associação Maranhense de Escritores Independentes (Amei), no São Luís Shopping, ele lança “O voo da abelha” (Viegas Editora, 2022), prosa poética que alia suas memórias da época de ilha, referências literárias e musicais mais ou menos explícitas no seu fazer literário (Johann Sebastian Bach, Manoel de Barros, Carlos Drummond de Andrade, João Guimarães Rosa e Dante Alighieri, entre outros) e uma dose de psicanálise – Sigmund Freud é, talvez, o personagem mais citado na obra.

O livro é ilustrado por bordados de Ângela Dumont. As ilustrações, além de garantirem beleza especial ao livro, ajudam o leitor a compreender a paixão do autor pela cultura popular de sua terra natal. A escolha da data para o lançamento, em pleno período junino após dois anos de “não” São João, em razão das restrições impostas pela pandemia de covid-19, não deve ter sido mera coincidência.

“O bumba meu boi faz parte da minha alma. Eu tenho canções de boi compostas, inclusive em parceria com Ronaldo Mota, meu irmão. É uma raiz muito forte dentro do meu trabalho. Eu nunca abandonei. Eu saí de São Luís, mas São Luís nunca saiu de mim. Essa é a minha raiz, esse é o meu ser e a minha estrutura básica, a mais básica e a mais maravilhosa também”, comenta.

“A Ângela Dumont, que é uma das figuras chave dessa grande família de bordadeiras de Pirapora, me deixou esse legado. Eu já conheço o trabalho delas há décadas, mas só recentemente, já no período da pandemia, a gente se conheceu. Eu mandei alguns fragmentos do “O voo da abelha”, ela se apaixonou e liberou gratuitamente essas estampas, esses bordados que compõem e que fazem um diálogo com a estrutura do livro. Caiu assim como um mel dentro do meu trabalho e eu acho que também foi uma satisfação muito grande para ela, um casamento alquímico das duas linguagens”, continua.

“Meu tambor vem de longe. “Eu sou boiador, eu sou boiador, eu venho de longe, eu sou boiador!” Eu venho da ilha, eu venho da flor, eu sou da Maioba, eu sou boiador! Eu venho de longe, eu sou boiador, me deixa cantar que eu sou boiador! Eu venho, senhora, eu venho senhor, nasci com a Aurora, eu sou boiador! Eu canto toada, na forma do amor, e fecho meu canto pois sou boiador!”, diz trecho da obra, numa encruzilhada em que não sabemos distinguir ao certo se estamos lendo prosa, poesia ou música. E antes: “A coisa mais linda do mundo é quando a música amanhece a gente. Vem no colo de um poema feito por uma amiga que mora longe. Guarnece, minha poeta, teu cantar. Borda essa voz que me acalanta, princesa, que eu caminho contigo. Digo sim e entro em tua poesia”, certamente referindo-se tanto aos bordados que ilustram o livro quanto às mutucas que amanhecem pelos terreiros e arraiais acompanhando o bumba meu boi de sua predileção.

Cristiano Mota comenta a gênese e resume “O voo da abelha”: “Essas memórias vieram de assalto na noite de Teresópolis. Foram cinco dias em que essas memórias me visitaram e me fizeram escrever esses fragmentos, que são uma mistura de crônica, poesia, de lembranças e relembranças, onde São Luís e Teresópolis dialogam dentro de mim”.

O voo da abelha. Capa. Reprodução
O voo da abelha. Capa. Reprodução
Serviço: lançamento de “O voo da abelha”, livro de Cristiano Mota. Amanhã (11), às 19h, na Livraria e Espaço Cultural Associação Maranhense de Escritores Independentes (Amei, São Luís Shopping).

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