Desfile de blindados das Forças Armadas em agosto de 2021, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Cotado para ser vice na chapa de Jair Bolsonaro à reeleição, o general Walter Braga Netto, ministro da Defesa, aposta alto nos festejos do Bicentenário da Independência como elemento de palanque, além de representar um esforço para tentar tirar das Forças Armadas a pecha recente de elemento subalterno (e com certo caráter parasitário) da República. Desde a ditadura militar, de eventos como o Sesquicentenário da Independência, em 1972, não se via tamanho empenho das Forças Armadas (FFAA) no simbolismo de uma data cívica, período que o general quer que seja “relembrado nos mais afastados rincões do País e com o propósito de fortalecer o patriotismo, resgatar o espírito de civismo, rememorar a história e cultuar os vultos e heróis brasileiros”. Na semana passada, Braga Netto publicou uma portaria determinando foco total no evento – ele fixou que a Semana da Pátria será celebrada entre 4 e 10 de setembro.

Na portaria, Braga Netto explicita a intenção de aproximar essa gestão atual da Defesa do evento do Bicentenário, que terá um ponto alto na inauguração do Museu do Ipiranga, em São Paulo (obra de 211 milhões de reais que está em disputa pelos governos de São Paulo e federal). O general ordenou que sejam divulgadas “as mais recentes medidas que foram implementadas pelo Ministério da Defesa e pelas Forças Armadas, relacionando-as ao Bicentenário”.

O caráter propagandístico do 7 de Setembro beira o esforço de guerra e envolve todas as chamadas Forças Singulares (Marinha, Exército e Aeronáutica). Será utilizada “a maior quantidade possível de meios e pessoal para as atividades e no desenvolvimento das ações para a atuação do Ministério da Defesa e das Forças Armadas nas atividades referentes ao Bicentenário”, segundo o general, e sua brigada de divulgação deverá ocupar “eventos institucionais, solenidades, formaturas, cursos, reuniões, workshops, seminários, operações, exercícios, cultos religiosos, entre outros, previstos para o ano corrente e para o ano de 2023”, segundo o texto. A última grande participação militar num evento público, em agosto do ano passado, na Esplanada dos Ministérios, foi um desfile de blindados velhos que deixou mais fumaça do que boa imagem para as FFAA.

Serão restaurados bustos e monumentos dos chamados “heróis da pátria” por todo o País, enaltecidos temas musicais relativos às Forças Armadas e deverão ser ocupados todos os veículos de comunicação, mídias sociais e periódicos oficiais com o tema. A portaria fala em “alinhar as ações às ideias-força de pátria, defesa, segurança, educação, saúde física e mental, meio ambiente e assistência social, com visão retrospectiva e prospectiva”. Também já prevê a documentação dessas atividades como um legado a ser armazenado como verdade histórica. “Consolidar em acervo histórico todas as realizações referentes ao Bicentenário, com a finalidade de consubstanciar a elaboração de produtos sobre as correspondentes comemorações”, diz o texto.

Além de falar em “vincular todas as ações, cotidianas ou não, aos conceitos de soberania, liberdade e independência”, Braga Netto determina que se deva enaltecer os símbolos nacionais, especialmente o símbolo oficial do Bicentenário, inspirando o orgulho patriótico. Como o evento é vizinho às eleições de 2022, dá indícios de que vai se transformar num grande palanque para os arroubos armamentistas e intervencionistas de Jair Bolsonaro.

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