“Meu Nome É Bagdá” desafia o machismo

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Se alguém perguntar do que se trata Meu Nome É Bagdá, uma resposta correta será dizer que é um filme sobre empoderamento feminino. Mas o longa vencedor da competição Generation 14plus do Festival de Berlim representa também uma necessária obra para desafiar o machismo renitente que insiste em não morrer. Protagonizado por garotas skatistas, a produção se vale de um esporte para mostrar que há uma longa jornada nessa travessia para mudar corações e mentes, mas já é um caminho sem volta.

Bagdá (Grace Orsato) é uma garota de 17 anos que passa as tardes em uma pista de skate na Freguesia do Ó, na periférica zona norte de São Paulo. Seus amigos são predominantemente um grupo de garotos da mesma idade. A desigualdade de gênero se reduz com o surgimento de Vanessa (Nick Batista), também uma skatista. O machismo, a misoginia, o preconceito e a homofobia, todas essas questões estão latentes entre os jovens, mas não parecem ser o centro da trama. A protagonista tem, a seu favor, uma família bem-resolvida e feliz. Micheline (Karina Buhr) é mãe-solo com três filhas, Joseane (Marie Maymone), Bagdá e Bia (Helena Luz). A mãe é despachada e educa suas filhas pelo mesmo caminho, não as privando do convívio de suas amigas Gladys (Gilda Nomacce) e Gilda (Paulette Pink). O tempo todo estão enfrentando machistas de plantão.

Livremente inspirado no livro Bagdá, o Skatista, de Toni Brandão, Meu Nome É Bagdá avança na construção desses personagens aparentando ser apenas um filme de falas descompromissadas, mostrando a vida como ela é em um bairro de classe média. Mas a narrativa ganha uma nova perspectiva quando a protagonista vai a uma festa e encontra seus amigos em outra situação, fora da pista de skate. Em outros tempos, o episódio enfrentado por Bagdá seria esquecido ou deixado de lado. Mas não no Brasil de hoje. Não é não. E o empoderamento feminino ganha força e expressão quando ela encontra um grupo de outras amigas skatistas e, por meio da sororidade, encontra forças para enfrentar a situação conflituosa.

As cenas de skate, fartas e belas, traduzem simbolicamente o que acontece quando as mulheres apenas pedem respeito. É preciso coragem, cair e não ter medo de cair, saltar obstáculos, girar em torno de si mesmas. Meu Nome É Bagdá é um filme feminino, da Manjericão Filmes, assinado por Caru Alves de Souza (direção, roteiro e produção), Josefina Trotta (roteiro), Rafaella Costa (produção), Camila Cornelsen (fotografia) e Marinês Mencio (direção de arte). Mas seria muito positivo se o público masculino assistisse e aprendesse a importante mensagem que o longa traz.

Meu Nome É Bagdá. De Caru Alves de Souza. Brasil, 2021, 99 min.

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