O presidente Jair Bolsonaro indicou esta manhã (quinta, 24) um novo diretor efetivo para compor a diretor colegiada da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Tiago Mafra dos Santos já é servidor da agência (secretário de Políticas Regulatórias) e integrava lista tríplice enviada ao governo pela própria Ancine – era o segundo da lista.

Santos deverá passar ainda por sabatina no Senado Federal para ser confirmado. Ele entrou na vaga deixada livre por Débora Ivanov e pode vir a ser o segundo diretor efetivamente nomeado em dois anos – o outro é Mauro Gonçalves de Souza, que está na interinidade como presidente. Os outros dois nomes na diretoria colegiada, Vinicius Clay e Edilásio Barra, têm sido reconduzidos irregularmente há um ano e meio. Em outubro, é previsto o retorno de Alex Braga Muniz como diretor presidente, nomeado por Bolsonaro. Mas as movimentações do interino (assim como as complicações de Muniz com a Justiça) podem indicar que Mauro Gonçalves não tenha planos de sair – ele tem empregado para sua assessoria diversos nomes da Região dos Lagos, de onde é proveniente, nenhum deles com algum histórico de trabalho no audiovisual.

A fixação regional do novo presidente interino chama tanto a atenção que servidores da agência já apelidaram seu mandato de Tempo Saquarema (ironia relativa ao lado do governo Bolsonaro que tem saudades do Império). Saquaremas era como eram conhecidos os integrantes do partido conservador que apoiava incondicionalmente o Imperador no século 19, e eram chamados assim porque a maioria vivia no município fluminense de Saquarema; a “oposição” eram os Luzias. Atualmente, uma ala reacionária da antiga família imperial brasileira tornou-se bolsonarista ferrenha, tendo eleito até um deputado federal, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP). Quando chanceler, Ernesto Araújo tinha oferecido a essa ala governamental a transformação do Museu Nacional do Rio, a mais antiga instituição científica do País (em acelerada reconstrução após um incêndio em 2018), em Museu Imperial.

Devido à instabilidade do governo (para não dizer outra coisa), a indicação de Tiago Mafra dos Santos não é garantia de que ele vá integrar a diretoria. Recentemente, o governo tinha indicado um aliado de primeira hora, o pastor Edilásio Barra, o Tutuca, e retirou sua indicação, assim como retirou a indicação de uma produtora de cinema terrivelmente evangélica, Veronica Brendler, para a agência.

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