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O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, e o presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Glen Valente, que cedeu 2 andares para abrigar a fundação dirigida por Camargo

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma representação para investigar a contratação de serviços de transporte para a mudança da Fundação Cultural Palmares, que abdicou de ter uma sede própria e instalou-se este mês no prédio da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). O valor da mudança foi de 83 mil reais, despesa feita na contratação de um caminhão fechado tipo baú, e a empresa incumbida da mudança foi a Rei de Ouro Mudanças.

A Fundação Palmares, entidade vinculada da Secretaria Especial de Cultura (por sua vez, subordinada ao Ministério do Turismo) funcionava no Edifício Toufic, no Setor Comercial Sul, e mudou para dois andares da EBC na Quadra 702/703, em Brasília. Conforme nota da própria fundação, 110 servidores tentavam essa semana se arrumar no novo endereço – segundo denunciou o Estadão/Broadcast, o prédio para onde a Fundação Palmares foi removida está em péssimo estado, tem infiltração e avarias. O diretor da fundação, Sérgio Camargo, alardeia que economizou R$ 2 milhões com a mudança e disse que vai reformar o subsolo do prédio para abrigar equipamentos – usualmente, isso teria que ser feito antes de uma mudança, mas não é o caso.

“Essa é a primeira vez em 10 anos que os gastos da instituição registram queda”, disse Camargo. Não é possível dizer qual foi a conta feita pelo diretor, mas sob sua gestão o que caracteriza a fundação são cancelamentos, não realizações. Essa semana ele cancelou o apoio, por exemplo, ao Dia da Consciência Negra, no próximo dia 20 de novembro, data-símbolo do debate público e do abrigamento das demandas do povo afro-brasileiro. Também se ocupa em promover expurgos de personalidades negras de destaque da História brasileira – os alvos mais recentes foram as políticas Marina Silva e Benedita da Silva, que ele fez tirar do livro de personalidades da fundação.

Sergio Camargo é pago, basicamente, para criar diatribes com as lideranças e fustigar ações afirmativas da luta da cidadã e do cidadão negro no Brasil. Sem repercussão nas comunidades e no centro do debate das questões afro-brasileiras, ele fala geralmente no Twitter e em tom de militante raivoso. “Alguém sabe se o ator Lázaro Ramos saiu em defesa do Madame Satã, criminoso que glamourizou no cinema? Condenado a 27 anos, a ficha criminal de Satã inclui três homicídios, agressões, furtos, porte de arma e por aí vai…”, escreveu. Um leitor respondeu que o governo ao qual ele serve homenageou com comendas milicianos no Rio de Janeiro procurados por até 19 homicídios, alguns mortos em confronto com a polícia, e ele, sempre dócil com os superiores, não demonstrou incômodo com isso.

Marighella não era preto! Essa mentira, por si só, torna a fita imprestável!”, escreveu mais adiante. “Nunca sofreu censura alguma; houve, sim, total desinteresse e repúdio do público, que tem o direito de decidir onde gasta seu suado dinheiro”, escreveu. Referia-se, provavelmente, ao filme Marighella, de Wagner Moura, que foi destaque em festivais internacionais mas ainda não conseguiu data de estreia no Brasil. O que chama a atenção é o servidor da fundação falar em desinteresse do espectador em um filme que ainda não estreou somente para enquadrá-lo em seu ranço ideológico.

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