O dilema das Redes: a era da manipulação social

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Tristan Harris era designer ético do Google. Jeff Seibert e Alex Roetter foram executivos do Twitter. Bailey Richardson participou das primeiras equipes do Instagram. Sandy Parakilas era gerente de operações do Facebook e de produtos da Uber. Guillaume Chaslot ocupou o cargo de engenheiro do YouTube. A lista do documentário O Dilema das Redes, da Netflix, prossegue com outros nomes de peso que têm em comum o fato de já terem ajudado a alicerçar a indústria de tecnologia. E, aparentemente, estão arrependidos por terem impulsionado a era da manipulação social.

É chocante perceber o quanto essas pessoas recomendam fugir das atuais grandes companhias do capitalismo e de seus produtos. Google, Facebook e Twitter nasceram com um propósito, segundo eles, que era o de conectar pessoas. Mas em algum momento esse propósito se desvirtuou nas mãos de jovens de 25 a 35 anos que decidiam, entre outras coisas, que seria legal um botão de curtir ou dar recomendações para o próximo vídeo. O legal se tornou uma máquina de modificar comportamentos.

Para Jaron Lanier, um cientista da computação hippie que afirma que a única solução é deletar as contas em redes sociais, o mundo levará tempo para perceber o quanto o Vale do Silício está reprogramando a civilização. O Dilema das Redes é um documentário que se soma a outras produções recentes, como o excelente podcast Rabbit Hole, no Spotify, que questionam como saímos dos vídeos fofinhos do YouTube para a ameaça do Qanon, grupo conspiracionista de extrema direita pró-Trump.

O documentário escorrega ao introduzir, talvez por didatismo, uma dramatização com personagens que explicam como se dá a influência das redes sociais. Funciona bem menos do que especialistas lembrando que a palavra “usuário” só é usada no universo tecnológico ou no tráfico de drogas. Ou ainda quando alertam que se consumimos algo de graça, talvez o produto sejamos nós, ou melhor, nossos dados.

O Dilema das Redes. De Jeff Orlowski. Netflix.

 

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