O cantor e compositor Arthus Fochi. Foto: Amina Nogueira
O cantor e compositor Arthus Fochi. Foto: Amina Nogueira

Há certa exuberância na aparente simplicidade de “Cinema nacional”, videoclipe recém-disponibilizado por Arthus Fochi. O artista soma-se aos que, em sua classe, têm reagido à destruição das políticas culturais pelo governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

Menos explícito que pares como a Banda Borralheira e Beto Ehong, Fochi reflete, em “Cinema nacional”, sobre o corte de verbas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e a paralisia intencional da Agência Nacional de Cinema (Ancine), além das fake news como modus operandi de campanha eleitoral e governo do neofascismo tupiniquim. “Eu não sei de nada/ eu só vejo série medieval/ Leio meu jornal”, diz a letra.

O cantor e compositor também lembra que a violência é campeã de audiência, na vida real, na telona ou nas telinhas. “É uma música que conta um pouco de um cansaço, de sempre ler e ouvir notícia ruim. De como o caos vende, de como a tragédia é viciante. Mas também é uma música que fala outras coisas, de alienação, de esperança, da contradição. Sinto que essa canção acabou adquirindo muitas matizes reflexivas, e acho que é uma obra com um teor irônico também. Eu gosto de escrever para muitas interpretações. E de alguma maneira é bem íntima, por exemplo, realmente eu adoro ver séries de histórias medievais”, afirma no material de divulgação distribuído à imprensa.

Um único ator em cena – Bolão, um ex-vizinho de Fochi que no dia da gravação se mudava após 45 anos no mesmo endereço – lê um jornal, onde se localiza a ironia de que fala o artista. “Desigualdade é a maior desde 2012” é a manchete que se lê na página de economia, ao lado da página de esportes, que mostra uma foto de uma partida de futebol antes da pandemia (“Quarentena” é o título do lançamento anterior de Fochi), essa alegria tida desde sempre como um alienador do povo. O golaço de Fochi, sutil e preciso, é nos convidar à reflexão.

Assista “Cinema nacional”:

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