Mario Frias e Marcelo Alvaro Antonio
Mario Frias, da Cultura, e Marcelo Alvaro Antonio, do Turismo, seu superior hierárquico

Em reunião na tarde desta terça-feira em São Paulo entre gestores da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) e o ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antonio, e o novo secretário Especial de Cultura, Mario Frias, os integrantes do governo pediram alguns dias para resolver as pendências jurídicas e financeiras da Cinemateca Brasileira – seus funcionários, sem receber salários desde abril, estão em greve desde o dia 12.

Os emissários do governo disseram que a gestão da Cinemateca, ao contrário do que foi especulado (uma refederalização do órgão), deverá continuar a cargo da organização social Acerp, como vinha sendo nos últimos anos. Eles garantiram que saldarão as dívidas e a instituição voltará a receber recursos para seu pleno funcionamento, mas não deram prazo para que isso aconteça nem detalharam seu plano. “Vir para cá demonstra a nossa intenção de restabelecer a Cinemateca e dar vida nova à instituição”, disse Álvaro Antonio. “Podem ter certeza que, junto como o novo secretário de Cultura, estamos fazendo de tudo para resgatar e resolver o impasse dessa instituição que é tão importante para o Brasil e o mundo”.

O secretário Frias disse que conhecia o trabalho da Cinemateca e que vai se empenhar na resolução dos problemas. Fontes da Agência Nacional de Cinema (Ancine) informaram reservadamente ao Farofafá que diretores da instituição acompanharam o encontro e que há um plano do governo de passar a Cinemateca à gestão da Ancine, o que é temerário, já que o funcionamento da própria agência está sendo questionado atualmente pelo TCU, pela Justiça e pelo setor do audiovisual. “Queremos uma solução, tudo dentro da legalidade”, disse Mario Frias.

As organizações do audiovisual mobilizadas em torno da questão da Cinemateca são céticas em relação às promessas do governo. Eles lembram que o governo Bolsonaro já teve quatro secretários Especiais de Cultura (Henrique Pires, Ricardo Braga, Roberto Alvim e Regina Duarte) e todos prometeram resolver as pendências, mas caíram antes mesmo de começar o trabalho. A presença dos representantes do governo pode ter mais relação com a pressão da comunidade artística de todo o País, que sabe da importância da guarda do maior acervo do País, e da péssima repercussão internacional do descaso para com a instituição.

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