Belchior
O cantor Belchior será tema de uma homenagem durante o evento Ceará Moda Contemporânea 2020

Em meu livro Belchior – Apenas um rapaz latino-americano (Todavia Livros, 2017), descrevo como Belchior, na época do show de lançamento do disco Todos os Sentidos (Warner, 1978), costumava levar até 20 mudas de roupa para se trocar durante as apresentações. O show Todos os Sentidos tinha direção de Aderbal Freire Filho, grande nome do teatro, e incluía uma cama no palco. Belchior, a certa altura, envergava um fraque em cena – o fraque, emprestado pelo sogro do cantor ainda é conservado pela família. Embora tenha sido um ideólogo das velhas roupas coloridas, Belchior tinha fascinação pela dramaticidade de gestos (até estudou caratê para incrementá-los) e dos costumes (coletinhos, boinas, botas, casacos de couro marrom, chapéus, paletós, jardineiras, raincoats, óculos nouvelle vague).

Pois bem:  o concurso fashion Ceará Moda Contemporânea, que está em sua 11ª edição, anunciou o tema deste ano, e é um reconhecimento público do senso fashion do bardo de Sobral. Promovido pelos sindicatos industriais representantes da cadeia produtiva da moda cearense (Sindroupas, Sindconfecções e Sinditêxtil), o concurso homenageará Belchior adotando o tema A Moda de Um Rapaz Latino-Americano – Belchior, segundo informou o jornal O Povo.

As primeiras fotos de Belchior o mostram com um visual de saltimbanco, calça de listas verticais, algumas regatas, despojamento total. Sua ex-mulher, Angela, que ele conheceu ainda no início dos anos 1970, ajudou a incrementar um pouco o guarda-roupas do cantor, saindo à cata de modelos para os shows com uma fita métrica na bolsa para checar as medidas do então marido. Belchior também adquiriu o hábito de procurar roupas e camisas de linho nas lojas da Avenida Monsenhor Tabosa, em Fortaleza (muitos fãs o encontraram ali, experimentando camisas e paletós). Um par de botas de montaria que ele passou a usar também foi um presente do sogro, as botas tinham sido deixadas por um tio de sua mulher e o artista as adotou para uso em cena.

Depois dos 50 anos, ele passou a cortejar um certo visual dos pintores da Provence dos anos 1920, embora o verso diga “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Nesse vídeo aqui, gravado no programa de Jô Soares, é possível identificar um pouco esse fascínio do artista.

E aquele bigodão?, o leitor haverá de me perguntar. Aí já não sei. Foi old fashion durante um tempo, mas agora é de novo tendência. O que antes era jovem e novo, hoje é antigo. E vice-versa.

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