HQ Silvestre, de Wagner Willian
Silvestre, de Wagner Willian, conta a história de um velho caçador em uma grande viagem ao mundo da imaginação e da fantasia, embrenhado no meio da mata.

Uma história escrita de sangue

Era para ser um livro infantil, mas acabou se tornando uma espetacular história em quadrinhos quase sem requadros. É que Silvestre, de Wagner Willian, conta a história de um velho caçador em uma grande viagem ao mundo da imaginação e da fantasia, embrenhado no meio da mata. E a mata, a natureza, não cabe em caixinhas retangulares ou quadradas. Publicado pela DarkSide Books, a HQ venceu um edital da Prefeitura paulistana (cancelado em 2019) e permitiu ao seu autor inovar nos formatos e na proposição de conteúdo.

HQ Silvestre, de Wagner Willian
HQ Silvestre, de Wagner Willian

Com diversas quebras narrativas, Silvestre bebe na fonte de diferentes mitologias, como africana, hinduísta e indigenista, para mostrar a jornada do velho caçador. Isolado do mundo, esse personagem consegue estabelecer contato com divindades e lendas extintas. Há espaço para a aparição da mula-sem-cabeça e da curupira, por exemplo. Seus personagens, homens e bestas-feras, dialogam entre si. É nesse encontro surreal que se aborda a possibilidade de um convívio harmonioso entre o homem a natureza.

A essência da história é sobre o conflito entre os mundos monoteísta e politeísta, a existência de um único Deus ou vários deles. As primeiras páginas, que seriam para o livro infantil, logo ganharam vida própria. Willian, autor de Bulldogma, Martírio de Joana Dark Side e O Maestro, o Cuco e a Lenda, decidiu expandir a história. Como em um sketchbook, um caderno ilustrado de anotações, o autor recorreu a diferentes técnicas para que Silvestre ganhasse consistência. Até uma página do Facebook serviu para chamar a atenção das editoras. Com a liberdade criativa garantida pelo edital público, ele se pôs a adotar diferentes técnicas, como nanquim, pintura a óleo ou a lápis e óxido de ferro para criar manchas pelos desenhos. Até mesmo o seu sangue, que jorrou num pequeno acidente doméstico, foi utilizado para dar textura à HQ.

Silvestre. De Wagner Willian. Darkside Books, 192 págs., 65 reais.

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome