"Annie John". Capa. Reprodução
"Annie John". Capa. Reprodução

Originalmente publicado em 1985, finalmente ganha tradução no Brasil o romance de formação Annie John (Alfaguara, 2023, 134 p.; tradução: Carolina Cândido; R$ 69,90), da antiguana Jamaica Kincaid, que acompanha infância e adolescência da protagonista-título e as transformações que qualquer um de nós enfrenta neste trajeto: busca de identidade em torno de conflitos com os pais e toda sorte de experiências.

Vencedora de prêmios literários como o Prix Femina e o PEN Faulkner, Kincaid foi por várias vezes aposta entre os favoritos ao Nobel de Literatura. A qualidade de Annie John, livro de estreia da autora, é uma das explicações do porquê.

Com um quê de autobiográfico, a prosa de Kincaid é envolvente, sem floreios, simples na aparência e intensa na essência. Publicado pouco depois da independência de sua terra natal, colônia inglesa até 1981, a obra parte das descobertas pessoais de sua protagonista para discutir também temas sociais mais amplos e complexos, como a violência e as relações entre colonizadores e colonizados.

As buscas, transgressões e descobertas de sua personagem principal passam a questionar as autoridades – familiares e escolares – e o status quo em geral. A obra soa atemporal ao abordar temas como o colonialismo, o feminismo e o fim da infância, com todas as ambiguidades que isto implica.

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