O último gol de placa de Sérgio Sant’Anna

O escritor Sérgio Sant'Anna. Retrato: Chico Cerchiaro
Sérgio Sant’Anna completaria 80 anos no próximo 30 de outubro e dedicou mais de 50 anos de sua vida à literatura, sendo reconhecido como um dos maiores ficcionistas brasileiros em qualquer tempo. Embora mais reconhecido como contista, também escreveu romances, novelas, peças de teatro e ensaios, tendo tido sua obra também adaptada ao cinema. É caso raro de autor que...

Leia o Álbum, ouça os discos

Um livro sobre discos pode consistir, por si só, em um exercício de exclusões. Primeiro, porque quase não há mais discos em circulação para abrir o leque do debate, eles já se converteram hoje em artefatos de interesse arqueológico. Segundo, porque toda seleção fundada no arbítrio é forçosamente um exemplar da famosa síndrome das listas (que acomete com frequência...

Para ler sem pause e rebobinar ao fim

O poeta Marcelo Montenegro. Retrato: Marcus Steinmeyer. Companhia das Letras. Reprodução
Há uma expressão particular que uso para dizer que um texto é muito bom: é digno de pendurar na porta da geladeira. Talvez soe defasado hoje, já que as pessoas hoje em dia não mais vão à geladeira, necessariamente, para beber água. Mas a expressão vem daí, para elogiar aqueles textos que você acha tão bons que pensa que...

Jack e o livro que pressentiu a pandemia mais de cem anos antes

Um novo vírus que contamina fatalmente os mais velhos e os adultos, poupando as crianças, devastou o país nas primeiras décadas dos anos 2000. Durante anos, a fome e a orfandade levaram as crianças a reaprenderem a vida na natureza, buscarem refúgio em ritos selvagens e retomarem estratégias rústicas de sobrevivência e comportamentos tribais. Falamos do Brasil de 2021? Não,...

Os livros que sequestraram seus leitores

Todo mundo sabe que uma pessoa que ama muito os livros um dia será devorada por eles. Essa ideia é o parti pris da fabulosa história Incidentes da Noite, do francês David B. (lançamento Veneta Editora).  É como se David B. tivesse compreendido que o conto "A Biblioteca de Babel", de Jorge Luis Borges, estava a exigir uma visão...

Mercearia São Pedro deve fechar, e não é só mais um bar que fecha

Como talvez só o Cabaret Voltaire na Zurique dos anos 1910, ou o fictício Rick’s Café de Casablanca (não o real) dos anos 1940, ou o Floridita de Habana Vieja de meados dos anos 1950, ou ainda  o CBGB de NYC dos píncaros dos anos 1970, a Mercearia São Pedro da Vila Madalena tem sido, desde 1968, o lugar...

Não verás País como o de Quintanilha – porque não olhas para o lado

Uma modinha de compositor anônimo que foi resgatada por Mário de Andrade no início do século passado, "Escuta, Formosa Márcia", é o mote da nova graphic novel do quadrinista, escritor e ilustrador fluminense Marcello Quintanilha. Graphic novel, ou romance gráfico, nunca foi um termo tão preciso como nas obras de Marcello Quintanilha, mas certamente também não há, no momento,...

Após trauma com Elizabeth Bishop, Flip se volta para povos indígenas e o drama da Covid-19

Nelson Sargento - Foto Edinho Alves
Depois da polêmica que foi a escolha da poeta norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979) como a homenageada de 2020, uma bombardeada decisão da então curadora Fernanda Diamant (Elizabeth Bishop viveu 15 anos no Brasil e apoiou o golpe civil-militar de 1964, que definiu como uma "revolução rápida e bonita", celebrando a suspensão de direitos e a cassação de congressistas), a...

Novo livro de Marçal Aquino reafirma seu nome como um dos maiores ficcionistas em atividade no Brasil

Baixo esplendor. Capa. Reprodução
Ninguém duvida que Marçal Aquino é um dos maiores prosadores de ficção em atividade no Brasil, o que ele já provou tanto escrevendo livros quanto roteiros – não raro, adaptações cinematográficas de seus próprios livros. No primeiro campo, podemos citar “O invasor” (2002), “Cabeça a prêmio” (2003) e “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios” (2005); no segundo,...

“O meu livro não vai cair no próximo vestibular”

Sérgio Sant'Anna na intimidade da escrita, em seu quarto, no apartamento em Laranjeiras. Foto: divulgação
Mas devia. Tido por muitos, quando de sua morte, como o maior contista brasileiro em atividade – há controvérsias: Rubem Fonseca morrera quase um mês antes e Dalton Trevisan está vivo, isto para citar apenas dois gigantes das formas breves –, Sérgio Sant’Anna foi uma das até agora mais de 530 mil vítimas fatais do coronavírus no Brasil, em 10...