O ator Rodolfo Amorim reflete, no monólogo Galo Índio, sobre a infância a partir das nossas perdas - Foto Jonatas Marques

Um galo índio gigante chega a medir mais de um metro de altura e está entre os de maior peso no mundo. Nativa do Brasil, a raça surgiu do cruzamento de galos de rinha com galinhas caipiras. Essa mistura do animal briguento com o pacato caipira pode dar alguma pista para o monólogo interpretado por Rodolfo Amorim, que volta a entrar em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. Em um texto de memórias, algumas reais e outras fictícias, o ator faz do palco uma rinha particular para enfrentar traumas deixados por um episódio dramático em sua vida: a morte do pai.

Sob direção de Antonio Januzzeli, Rodolfo Amorim conduz o público para uma viagem a uma infância comum a muitos, quando tempo e espaço eram medidos por encontros familiares festivos ou fúnebres. Não é raro que parentes distantes só se encontrem para celebrar a vida, como uma festa de aniversário, ou reverenciar a morte. Em gestos comedidos, pensados e bem marcados, o personagem costura pequenas lembranças decorrentes da perda à força de sua inocência. O pai morreu tragicamente, e o ator custa a acreditar que aquela história esteja acontecendo com ele.

A montagem privilegia o texto, inteligente e reflexivo, reduzindo ao mínimo a cenografia, que se resume a pequenos e singelos objetos presentes na vida do menino. Mas diante da plateia está um homem de luto, visível no terno preto, que busca explicações para uma recordação dolorosa. Fala-se da morte em particular, que nesses dias parece estar metaforicamente mais próxima para muitos de nós, mas o monólogo também nos permite pensar na vida que deve surgir após uma perda traumática.

Galo Índio. Monólogo de Rodolfo Amorim. Na Oficina Cultural Oswald de Andrade, na Rua Três Rios, 363, em São Paulo, às sextas-feiras às 20 horas e aos sábados às 18. De 4 a 26 de outubro. Grátis

 

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