Jotabê Medeiros elege seus favoritos entre os discos nacionais lançados neste ano louco de 2015

9 discos - JOtabê
Daqui (Pau Brasil, independente) – O que é a sutileza, a doçura daquele saber que já está acima do ego? Saudações, Bellinatti, Ayres, Stroeter, Cardoso e Mosca!

Carbono (Lenine, Universal) – Um raro (hoje em dia) disco conceitual que reconecta a música brasileira com experiências radicais nordestinas, de Lula Cortês e Zé Ramalho a Chico Science. Um disco coletivo, anticorporativo.

Mulher (As Bahias e a Cozinha Mineira) – Gal Costa Reloaded. Disco da banda paulistana tem duas trans na sala (Assucena e Raquel, da História da USP) e um combo jazzístico na cozinha. Mas o repertório (e as performances) evoca de Gal e Amelinha ao canto sacro judaico. Manifesto político & social.

Transmutação (BNegão). É o disco nagozão do BNegão. Dub com ponto de macumba. Sobrenatural. Bonito.

Trigonotron (Trigonotron, Maximus). Estaria nessa lista só pelo sample de Mestre Humberto do Maracanã na faixa Na Maré, mas é muito mais abusado que isso.

Éter (Scalene, Ponto Digital). Casa das Máquinas Reloaded. Programas de TV não vão aquecer seu coração no inverno, mas de vez em quando surpreendem.

Viva Hermeto (André Marques & Trio). Acontece que o trio tem John Patitucci e Brian Blade. Esse disco estaria aqui só pela faixa Bebê, alto artesanato, mas é muito mais abusado que isso.

Senoide Sensual (Alaídenegão). Grooovy. Diversão-balé, como a vida quer. Chimbinha Reloaded.

Casulo (Zé Cafofinho, independente). Pela faixa Migratorium, com o China, ganhou o posto. Mas é pura simpatia, puro eco do mangue.

Tonny Brasil. Não por um disco específico, mas pelo conjunto da obra. Mal comparando, é o Quincy Jones da música brega do Pará – o produtor mágico, que projeta sucessos, mas que é também fenomenal como dono do palco.

* Publicado originalmente em El Pájaro Que Come Piedra

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6 COMENTÁRIOS

  1. Amigo Jotabê, feliz ano novo e ficamos contentes que aparecemos na sua lista de favoritos, porém gostaríamos de fazer o importante registro que o disco Casulo, do Zé Cafofinho, saiu pelo selo Joinha Records. Obrigado!

  2. Nossa, valeu, não sabia que o Pau Brasil tinha lançado um disco em 2015!! Essas coisas não aparecem na mídia, é um absurdo caras desse naipe serem tão desconhecidos. Os lançamentos de Luan Santana, Gustavo Lima, etc, nossa, super divulgados. A música genial brasileira mesmo, ali, escondida. Eu não sei a quem serve esse status das coisas atuais, mas a nós com certeza não é. Gostaria de saber como e onde posso comprar esse disco novo do Pau Brasil, sou fá demais deles!!!
    Um abraço!

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