São fortes e fartos os sinais de que o Ministério da Cultura (MinC) de Ana de Hollanda, Vitor Ortiz, Antonio Grassi, Chico Buarque, Ecad, Globo, Estados Unidos do Brazil & cia ltda “retalia” aqueles que vêm se opondo à sua gestão nos últimos dias.

FAROFAFÁ tem recebidos notícias recorrentes de promessas de “retaliações” por parte do MinC, ao ator-militante José de Abreu (ligado umbilicalmente ao mesmo PT que apoia e sustenta o núcleo duro do MinC atual), à mídia tradicional que ouse discordar da ministra, a jornalistas que se pretendem independentes dentro dessa mesma mídia, a assessores de imprensa, a este próprio FAROFAFÁ.

Sabemos que (pelo menos) um funcionário do MinC foi sumariamente demitido ontem, pelo mero fato de ter comparecido a um seminário sobre gestão CULTURAL de que também participava Juca Ferreira, cujo mandato o dos Hollanda sucedeu, supostamente continuaria e tem “retaliado” radicalmente desde o início do governo.

(O atual MinC, açodado em compreender a cultura DIGITAL como inimigo também radical, interpreta Juca como rival, opositor e sabotador. Só nesta semana, após 15 meses de gestão Ana, ele passou a se posicionar publicamente sobre o pavoroso beco sem saída em que estamos metidos todos que amamos cultura.)

Via Twitter, os “terroristas” digitais temos dado a isso o nome de MACARTISMO.

Antonio Grassi, atual presidente da Funarte Buarque de Hollanda, reagiu imediatamente, também via Twitter:

@antoniograssi Macartismo (sic) pratica quem ouve um lado só… Mesmo discordando é saudável conhecer as varias versões

O presidente tem meia razão: o bom jornalismo ouve as várias partes envolvidas em cada conflito. Há dias, FAROFAFÁ solicitou entrevista com ele via Twitter. Ele respondeu “quando quiserem”. Perguntamos em que data, local e horário. Ele respondeu: “Ligue para a Funarte”. Optamos por não ligar, por entender que “quando quiserem” é bastante diferente de “liguem para a Funarte”. Talvez tanhamos sido injust0s, macartistas. Mas desconfiamos do que nos pareceu um subterfúgio do presidente, típico de quem não deseja falar (e/ou é impedido de), mas bate bumbo em público fingindo que sim.

O sr. venceu, sr. presidente. Ligaremos para a Funarte pedindo a tal entrevista. Mas (com o perdão do uso da hierarquia, da qual não somos nenhuns fãs incondicionais), mais que o sr., queremos, carecemos, precisamos entrevistar urgentemente a ministra em pessoa.

Ontem, durante ato público na Câmara, a ministra Ana também tergiversou: nos chamou publicamente (sem citar nossos nomes ou o de nosso site) de “levianos” e de “má fé”, gente que “ouve um lado e não ouve o outro lado”.

Pessoalmente tenho tentado isso, desde o momento em que tomou posse no MinC, em nome de veículos como o grande portal iG ou, agora, de nosso pequenino FAROFAFÁ. Nunca tive a chance. Pedi entrevista logo após a publicação da primeira reportagem-denúncia de FAROFAFÁ contra o MinC de Alice de Hollanda & Ananindeua. Ontem, encaminhei por e-mail nova solicitação de entrevista com Ana:

“Eu e meu parceiro Eduardo Nunomura gostaríamos de fazer um novo pedido de entrevista a Ana de Hollanda, à luz da entrevista do Juca e do que consideramos uma injustiça por parte da ministra hoje de manhã, na Câmara, quando reclamou de que o “outro lado” não é ouvido em matérias supostamente “levianas” – isso mesmo depois de termos pedido entrevista a ela e o MinC não nos ter atendido por considerar a questão ‘vencida’. Muito obrigados”.

Seguimos à espera de qualquer comunicação da coordenadora de comunicação do MinC, Christina Abelha (que até hoje nunca se comunicou diretamente conosco) e, sonho nosso, da entrevista com Ana (*). Por favor, leve-nos a sério, sra. ministra da área na qual trabalhamos e que amamos.

Mas, voltando ao presidente Grassi, o atrito a respeito de “macartismo” (ele não insinua que escrevamos “mccarthismo”, insinua?) nos remete diretamente a um diálogo público entre Antonio e Ana, quando ele já não trabalhava no MinC de Gilberto Gil e Juca Ferreira e ela ainda não era ministra da pasta.

(Não-)entrevistas à parte, respondam se não ajuda a comprovar muito do que FAROFAFÁ tem dito diariamente sobre o MinC e a ministra classificou como leviandade. Reproduzimos o dialogo, com grifos nossos:

18 de abril de 2008 / A CULTURA É ASSUNTO – ANA DE HOLLANDA

Ana de Hollanda, além de cantora tem experiência na gestão cultural. Foi a Diretora do Centro de Musica da Funarte,  na minha passagem por lá. Figura chave na retomada do Projeto Pixinguinha (depois de 7 anos de paralisação) e em várias ações importantes para a música de concerto, orquestras, bandas e edições da área.. Companheira de batalha (literalmente) no meu mandato como Presidente da Funarte, hoje é a vice-presidente do MIS  (Museu da Imagem e do Som) do Rio de Janeiro. Ana enviou o comentário abaixo, sobre o tema dos direitos autorais, postado no dia 03/01: 

Oi Grassi,
Essa questão de direitos autorais tem provocado discussões calorosas pelo fato de mexer com altas cifras e propriedade privada, já que a criação artística é um bem inalienável, além de sustento profissional de um contingente enorme de artistas de todas as áreas. Com o surgimento da internet, celulares, com seus provedores, softers, empresas de telefonias e grandes grupos que englobam tudo acima, a criação é o elo mais fraco e fácil de se neutralizar com o irônico discurso de “democratização do acesso”. O mundo inteiro está discutindo como se ajustar à novas tecnologias e o Brasil não está fora disso. As diversas associações de músicos e compositores e seu escritório central, o ECAD, participam de congressos internacionais em busca de soluções que permitam o acesso sem deixar de remunerar os criadores. Lembro que seu conterrâneo, Fernando Brant, além de um dos nossos maiores compositores é uma pessoa esclarecida e, com anos dedicados à luta, poderia ser entrevistado sobre o assunto. beijos, Ana

 

Breves comentários de FAROFAFÁ sobre a fala de Ana em 2008, que não parece ter se modificado muito em 2012:

—> FAROFAFÁ é francamente contrária a patrulhas de ordem gramatical, ortográfica etc. Mas estamos falando da ministra da Cultura do Brasil, com tonitruantes “ajustar à novas tecnologias” e tudo acima. “Softers”, tentando dizer “softwares”, é dramaticamente ilustrativo, não tanto pelo erro bilíngue, mas por sedimentar, cristalizar e emparedar tudo que sabemos ser o pensamento cultural-tecnológico representado pela ministra.

—> Fernando Brant, além de parceiro principal de Milton Nascimento em inúmeros clássicos do clube da esquina, é diretor-presidente atual da UBC, União Brasileira de Compositores, uma das nove associações administradoras do Ecad, vinculada por contrato à equivalente norte americana Ascap. São antigos e constantes os rumores de que Brant é figura decorativa à frente do diretor-superintendente da UBC, o advogado da área de direitos autorais José Antonio Perdomo. As intincadas ligações entre Ecad, famílias tradicionais da MPB e o MinC atual foram abordadas num importante e aparentemente não muito percebido texto publicado há poucos dias por FAROFAFÁ.

—> EXTRA: [ Enquanto escrevia esse texto, recebi do e-mail da assessoria de imprensa do MinC a resposta ao mais recente pedido de entrevista: “Prezado Pedro, Acabo de falar com a Christina, que me comunicou que a Ministra não concerá a entrevista. Abraços”. Seguem valendo os apelos acima (*) ].

—> Durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Brant, da UBC-Ecad, costumava escrever artigos ferozes (inclusive nos jornais O Estado de MinasO Globo) contra Creative Commons e a gestão Gil-Juca no MinC. Embora todos os atuais envolvidos jurem de pés juntos que não existe promiscuidade público-privada MinC-Ecad sob o governo Dilma Rousseff, Brant e muitos de seus pares também lotados no sistema Ecad mantêm-se solenemente calados e desinteressados em criticar publicamente a gestão Ana de Hollanda.

Como dizia o “loki” Arnaldo Baptista em 1972: cê tá entendendo?

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Sei lá, tô me sentindo em 1967 naquela passeata pró-MPB contra as guitarras elétricas, sabe? É tão retrógrado esse discurso da ministra, é tão evidente o despreparo no trato de questões culturais e de economia criativa da gestão Ana de Hollanda no MinC… nem parece que é uma ministra de governo de continuidade ao que estava sendo feito nos mandatos do Lula. E o pior é que a Dilma, além de ser do mesmo partido é cria política do barbudinho mais amado do mundo, e quiçá um dos melhores presidentes que esse país já teve. Com a teimosia da Dilma em defenestrar a anta, começo a perder um pouco a fé no que pode vir no futuro do mandato da presidenta.

  2. O Presidente da Funarte, Fundação Nacional das Artes dos Estados Unidos do Brasil não sabe oq é macartismo. Deve achar que se grafa “maccarthysmo”. Mais um da categoria #loucosdebalasofters

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