foto: nana

Terça tem estreia de um filme sobre Zabé da Loca.
Eu a conheci em 2004, não tinha ainda corrido o mundo. Mas já tinha 80 anos. Vivia num assentamento. Gostei do jeito como pontuava as frases:
“Gosto de feijão, xerém, farinha seca e angu. Como de tudo, só não como terra. Bebo cachaça também.”
Morou 25 dos seus 87 anos dentro de uma caverna, na Paraíba.
Tocava o pífano, aquela flautinha de PVC ou bambu. Glorinete a ajudava ao telefone, porque ela escutava muito mal.
Depois, em 2009, eu a reencontrei em Olinda. Estava ainda mais surda e ausente, mas alegre feito um preá ou uma coroca. Tinha virado uma grande estrela.
O filme é O Mundo Encantado de Zabé da Loca, dos diretores Pedro Paulo Carneiro e Roberto Lamounier.
Eles conseguiram (não é tão difícil, eles estão por todo lugar) reunir depoimentos admiráveis de artistas populares daquelas paragens.
No trailer, ri muito com a história do forró de latada, que é um galpão improvisado de chão batido onde o sanfoneiro toca até que a poeira suba tão alto que seja necessário parar o baile para molhar o chão e acalmar o pó.
A primeira sessão será para a imprensa, às 12h, no Museu da Imagem e Som de São Paulo.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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