E então hoje 65 jornalistas brasileiros (mais uma moçambicana) subiram a bordo para a já tradicional entrevista coletiva de Roberto Carlos em ritmo de mar aberto.

O que ele falou você vai ver, ouvir e ler em todo canto, mas só umas poucas coisas que me chamaram atenção:

A jornalista Greta G. perguntou o que ele pensa sobre a MPB. E ele: “MPB pra mim é tudo que é popular e que é brasileiro. Acho que MPB não se restringe simplesmente… [pausa, hesitação …Embora não seja muito visto assim, né?… Mas, na minha cabeça, MPB é tudo que é popular e que é brasileiro”.

Pode parecer uma declaração meio pro vazio, sem conteúdo, mas vê bem. Algum grupo puxou pra si, só pra si, o rótulo todo, e não foi o grupo mais popular. E não é nessa turma que RC se vê.

Ele já tinha explicitado isso no início, quando o jornalista Michael J. (ou foi a Marilyn M.?) perguntou sobre a música sertaneja e os músicos sertanejos: “As nossas músicas se entendem. Porque elas são diretas ao povo”. Populares. Brasileiras. Portanto.

E citou, da época dele, Alvarenga & Ranchinho, Tonico & Tinoco. E arrematou, gênio direto, musical, popular & brasileiro que é: “Certamente o cenário da música sertaneja era bastante diferente de hoje. Luiz Gonzaga, o Gonzagão, eras grande referência de músico sertanejo”.

Luiz Gonzaga é o rei do baião. Roberto Carlos é o rei do iê-iê-iê. (E Chico Science é o rei do manguebit.)

E então o jornalista Elvis P. perguntou o que Roberto C. anda achando da economia brasileira. A plateia (sim, havia plateia) chiou, e Roberto C. gaguejou – mas respondeu:

“Com certeza Sou otimista, e confio no Brasil, e vejo que o Brasil tá numa situação que deixa a gente muito contente. Muitas coisas tão acontecendo, o Brasil lá fora tem tido uma importância e um respeito cada vez maior pelos estrangeiros. No meu entender de compositor e cantor, acho que a gente estamos… [pausa, risada envergonhada] ‘A gente estamos’ é besteira, né? [risos], a gente está numa situação boa. Com certeza a gente vai melhorar mais ainda, pelo otimismo que eu tenho”.

De novo, a resposta parece prosaica, previsível. Mas, de novo, vê bem.

(p.s.: dia de celular sem serviço nos mares de Búzios e Angra, eu queria twittar o show logo mais, mas acho que não vai dar…)

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