Ontem, fui dormir quando o Exaltasamba exaltava a plateia à beira da piscina. Hoje, à tarde, o Exaltasamba cantava à beira da piscina. Como trabalham, esses rapazes!

Cantaram uma versão batuqueira de “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, e poucas coisas teriam mais a ver com um cruzeiro temático sobre Roberto Carlos que uma homenagem samba-funk a… Tim Maia!

Hoje é a vez do Calcinha Preta, sensacional, e do Tom Cavalcanti -desse, eu estava sonolento, mas juro que ouvi o speaker do navio, Clint E., gritar: “Você não pode deixar de perder!”. De fato, eu perdi. Mas que interessante esse séquito cearense ao redor de RC (Tom, Calcinha Preta).

Por falar no speaker, um microfone entra com tudo no quarto da gente, bem invasivo, anunciando as próximas atrações. Nos vários canais de TV, é onipresente o diretor de cruzeiro e repórter de bordo Naim José Ayub, Naim, não o Nahim, do “Melô do Tacka-Tacka), entrevistando fãs e sósias do “Rei”.

Num dos meus delírios mareosos, juro que vi o Silvio Santos zanzando de calção acaju pelo convés.

Mas, não, esse cruzeiro é de outro rei da popularidade. E também à tarde, diante da praia de Copacabana, Arnold S., outro porta-voz em forma de alto-falante, celebrava aos berros o “nosso Cristo Redentor”, a “nossa Copacabana”, o “nosso Corcovado”, o “nosso Roberto Carlos”. Eu não vivo falando que RC é o brasileiro mais brasileiro de todos os brasileiros? mais brasileiro que banana, Copacabana e o Cristo. Pessoal aqui também acha.

E eu duvido que alguém esteja aqui sem ser fã contumaz de RC, mas confesso que a onipresença (não em carne e osso) dele volta e meia chega a oprimir um tico. Em todo canto – TV, convés, som ambiente de bares e restaurantes, até no gogó dos passageiros -, toca Roberto Carlos o tempo inteiro.

Prevalece o RC baladão, romântico, ronanticão, mas de vez em quando escapa um iê-iê-iê ou uma “Ana”.

Só que não tem jeito: o verso que mais ouço, o tempo todo, no meu grilo falante interno e nas gargantas dos colegas, é “nos lençóis macios amantes se dão…”. Ironicamente, na cabine é tão frio que não tem lençol, só edredon.

O show, no duro, “real”,  é amanhã. A janelinha ex-vermelha do blog, por custo nenhum, consigo fazer funcionar aqui no celular – portanto, não consigo ver o que vocês estão falando daí. Daqui, só consigo mesmo ouvir “nosso Rei”,e uma ou outra Dusty Springfield, via iPod.

E aqui dentro é uma multidão tão, tão, mas tão grande. Dá até medo.

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