david carradine (dezembro de 1936-junho de 2009)

– “você conhece o som do aplauso, mas já conseguiu ouvir o som de uma mão só batendo palmas?”.

kwai chang caine era o nosso ídolo.
– “quando estarei pronto, mestre?”, perguntava o jovem discípulo shaolin.
e o mestre, cego e sádico:
– “gafanhoto, quando você conseguir andar em cima do papel de arroz sem deixar pegadas, você estará pronto”.
– “gafanhoto, quando você conseguir arrancar essa pedra da minha mão, você estará pronto”.

as memórias vinham no meio de momentos pepinosos de kwai chang caine no velho oeste.
ele tinha de ceder à tentação de usar a força bruta, mas quando dava porrada, saiam de baixo!
fazia prostituta virar santa, fazia bandidão chorar no lençol da cama.
um zen budista invertendo a regra da pólvora no velho oeste.

adorava as sátiras ao personagem. até consigo imaginar umas bem atuais:
“gafanhoto, quando você conseguir assistir duas peças do zé celso em sequência, você estará pronto!”
“gafanhoto, se você conseguir que o maluf devolva US$ 1 do dinheiro que levou para a suíça, você estará pronto!”

era péssimo ator, o david carradine.
última vez que o vi, ele estava em kill bill, do tarantino, e continuava péssimo.
mas será um ídolo para sempre.
herói de um tempo em que éramos todos sentimentais e moles, como ainda somos.
tempo em que adoravámos toda cena final de os waltons.
“boa noite, jim bob”
“boa noite, elizabeth”
“boa noite, mary ellen”
“boa noite, john boy”

http://www.youtube.com/watch?v=aBf_eAyIeLM

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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