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No que se refere a política e política cultural, o comissariado da Flip oficial tem radicalizado desde o golpe de Estado de 2016 um modelo altamente controlado de não-debate, que bate sem parar na tecla estética (com/sem as bênçãos de maldição de Hilda Hilst) e simula transformar em estética até mesmo aquilo que é pura política. Não é à toa que as iniciativas “off-Flip” (com perdão da expressão off-Broadway) se avolumam em experiências como o barco pirata da Flipei e algumas das várias outras casas abertas em Paraty de modo paralelo, senão marginal, ao panelaço global que governa o não-debate.

Num meio termo entre a radicalização direitista (sempre naturalizada como falsa isenção ideológica) de corrente majoritária da Flip e a tentativa de agir à esquerda da Flipei (leia aqui e, nas bancas, na edição 1.015 da revista CartaCapital), a Libre (Liga Brasileira de Editoras) congrega mais de uma centena de editores independentes e compõe com a plataforma digital Nuvem de Livros para erguer uma casa flipeira pautada em pensamento não-único. Na entrevista abaixo, a presidenta da liga, Raquel Menezes (também dona da editora Oficina Raquel) e os editores Haroldo Ceravolo Sereza (ex-presidente da Libre) e Joana Monteleone (ex-vice-presidenta), ambos da Alameda Editorial, explicam o posicionamento da entidade, na corda bamba entre a independência e a institucionalidade.

Emergem da entrevista temas que as pedras de Paraty consideram de segundo plano para quem almeja a completa integração à Flip: a quebradeira geral e os calotes das grandes redes livreiras (como Fnac, Saraiva e Livraria Cultura); a raiz da falência atual nas políticas de “grandes campeões nacionais” dos governos Lula Dilma, que despejaram inve$timento preferencial em tais redes via BNDES (assim como fizeram, no braço jornalístico-midiático do mercado editorial, em relação a Globo, Abril, FolhaEstado); os dilemas da Libre entre participar ou não da Flip; o passado (passado?) racista, escravagista e traficante de ouro do atual cenário espetacular da Flip; e a necessidade da universalização do acesso à leitura e à bibliodiversidade como pré-condições para a superação de um Brasil-colônia que soluça de golpe em golpe.

 

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