O cantor e compositor Zeca Baleiro, ontem (18), no Bem Brasil - frame/ reprodução
O cantor e compositor Zeca Baleiro, ontem (18), no Bem Brasil - frame/ reprodução

Em determinada altura da apresentação de Zeca Baleiro no Bem Brasil, ontem (18), ao vivo no Sesc Itaquera, em São Paulo, com transmissão simultânea pela TV Cultura, Sesc TV e respectivos canais no youtube, um cinegrafista da equipe captou a plateia refletida nas lentes dos óculos do maranhense. 

Lembrei-me imediatamente do discurso de Ernesto Guevara de La Serna (1928-1967), ou simplesmente Che Guevara, como é/ra mais popularmente conhecido, por ocasião do recebimento do título de Doutor Honoris Causa na Universidade de Las Villas, em Cuba, em 28 de dezembro de 1959, ocasião em que o líder revolucionário falou da necessidade de a universidade se pintar de povo.

Ora, ora, se não é tudo o que Luiz Inácio Lula da Silva, vulgo Lula, maior estadista em atividade no planeta, hoje, tem feito desde o primeiro mandato para o qual foi democraticamente eleito em 2002, com programas que garantiram que, como Guevara rezou a cartilha, permitiram que a universidade brasileira tenha se pintado de povo, de pobre, de preto, de filho de empregado, de filha de pedreiro com doméstica se torne graduado, mestre, doutor, doutora?

Em outra altura, quando apresentou a banda — Fernando Nunes (baixo), Kuki Stolarski (bateria), Adriano Magoo (teclado e sanfona), Tuco Marcondes (guitarra e gaita), Pedro Cunha (teclado) e Grazi Pizani (trompete e flugelhorn) —, brincou com os times de seus integrantes e saiu apontando camisas de clubes espalhadas pela plateia. “Tá vendo? É possível conviver com camisas diferentes, basta ter democracia e respeito pelo outro”.

Zeca Baleiro trajava uma camisa vermelha com uma estrela amarela, óculos vermelhos e calçava também vermelho. Vermelho era também a cor predominante das vestes da plateia, ao longo do gramado verde diante do palco do Sesc Itaquera, com muitos dos entrevistados por Roberta Martinelli, antes e durante o programa, manifestando sua preferência para o pleito que se avizinha, domingo que vem (25).

Um deles perguntou: quem matou Stephen Fry? E será que a democracia sobrevive com um playboy no poder? Baleiro, a cujo título do primeiro álbum (“Por onde andará Stephen Fry?”, MZA Music, 1997) comparece o ator inglês, com seu bom humor habitual respondeu: “quem matou Stephen Fry foi você, porque ele continua vivo”, e emendou, dizendo que a segunda pergunta era autoexplicativa e já estava respondida.

Houve também quem celebrasse (merecidamente) a volta da Rádio Eldorado, em que Roberta Martinelli apresenta o Som a Pino — ela também integra o cast da TV Cultura, com seu bravo Cultura Livre.

Era a quinta vez que Baleiro participava do Bem Brasil, originalmente veiculado pela TV Cultura entre 1991 e 2008, que reestreou no último dia 7 de junho, com show de Carlinhos Brown. Na atual temporada, já subiram ao palco nomes como Sandra Sá, Chico César, Geraldo Azevedo, Pato Fu, João Bosco e Tiquequê, entre outros — cito de cabeça.

Ao longo da apresentação, o autor de “Lenha”, “A flor da pele” e “Telegrama”, para citar apenas três do roteiro, fez um passeio por seus quase 30 anos de carreira, que completa ano que vem, se contados a partir do lançamento de seu álbum de estreia.

Nas duas temporadas, o programa é apresentado pelo cantor, compositor, violonista, guitarrista e cavaquinista Wandi Doratiotto, integrante do Premeditando o Breque, de cujo álbum solo mais recente, “Um passeio paulista” (Borandá, 2026), Baleiro participa.

Uma fã, na plateia, fez uma pergunta que bem poderia ser minha (pois o apresentador me disse em entrevista que seu grupo está gravando um álbum para celebrar os 50 anos de carreira, a ser lançado ainda este ano): sobre a possibilidade de uma apresentação do Premê ou solo de Wandi no Bem Brasil. Baleiro brincou: ele podia ser acusado de tráfico de influência. E emendou com uma canja do apresentador, num dueto em “São Paulo, São Paulo” (Claus Petersen/ Mário Manga/ A. Marcelo Galbetti/ Osvaldo Luiz/ Wandi Doratiotto).

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Re/veja a íntegra da apresentação:

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