Encabeçada pela API (Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro), está em curso a formulação de duas lístas triplices para indicar um nome a ocupar a vaga que se abre nesta quinta-feira, 14, na diretoria colegiada da Ancine. O diretor Vinicius Clay terá o seu mandato extinto após 5 anos na Ancine, e o setor audiovisual se mobiliza para evitar uma nova nomeação de gabinete, com algum nome que não tenha afinidade ou conhecimento da área.
A ideia é que as duas lístas tríplices tenham representantes dos dois maiores interesses envolvidos: servidores da Agência Nacional de Cinema, que procuram ter voz nas decisões da Ancine, e profissionais da área de produção. Essas listas seriam enviadas ao governo, manifestando a vontade de outros atores do setor que vai além de caprichos do próprio Ministério da Cultura (MinC) – que indicou, na última vaga, o nome de uma executiva do Ministério da Educação para a agência, Patricia Barcelos. O nome de Patricia surgiu do grupo do secretário executivo do MinC, Márcio Tavares, já com o intuito de controlar a presidência do órgão, o que foi consolidado hoje no Diário Oficial da União, com a nomeação de Patrícia Barcelos, apenas 8 meses após assumir o cargo, como diretora presidente substituta do órgão.
Há interesses em jogo que vão da consolidação do poder nas decisões da Ancine até a constituição de um posto avançado de influência política do Centrão, que esteve fartamente representado desde 2021 na agência, após acordo com o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. O problema agora é que há um tema candente no debate público nacional, que é a Lei do Streaming. Em vias de ser votada no Senado Federal, ela foi urdida pelo deputado dr. Luizinho, bolsonarista do Rio de Janeiro, que essa semana tentou se esconder no banco traseiro de um carro ao ser flagrado saindo da mansão do senador Ciro Nogueira, denunciado pela polícia federal no caso Banco Master.
Os nomes já ventilados pelos independentes, na área de produção, são os de Viviane Ferreira (diretora e roteirista, fundadora da Odun filmes e de abordagem identitária), Leonardo Edde (produtor carioca, atualmente presidente da RioFilme, da prefeitura do Rio), Minom Pinho (produtora, empresária e consultora, ativa na Casa Redonda) e Janaína Brasil (atriz e produtora executiva). Também são mencionados os nomes de Gabriel Portela, gestor da SP Cine (da prefeitura de São Paulo), e Patricia Evangelista, produtora de filmes cristãos.
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QUERO APOIARDos servidores da Ancine, os nomes que estão sendo especulados são os de Daniel Tonacci (especialista em regulação), Marcial Renato de Campos (articulação institucional) e Cainan Baladez (também diretor e ativo no Observatório Brasileiro de Cinema). Também são mencionados Rodrigo Camargo (políticas públicas) e Leandro Mendes (regulação).
A diretoria colegiada da Ancine é composta por quatro diretores indicados pelo presidente da República para um período de 5 anos. Para serem efetivados, precisam passar por sabatina no Senado Federal. Atualmente, os diretores que compõem a diretoria são Alex Braga (diretor presidente), Paulo Alcoforado, Patricia Barcelos e Vinicius Clay, que sai essa semana. O cargo é cobiçado porque, além de decidir rumos do audiovisual brasileiro, também julga a destinação de vultosos recursos para a área (cerca de 1,4 bilhão de reais em 2026, segundo anúncio da agência).
REPORTAGEM ATUALIZADA ÀS 13H45 DESTA SEGUNDA, 11





