A historiadora, poeta e professora alagoana Beatriz Nascimento

O presidente Lula e as ministras da Cultura e da Igualdade Racial, Margareth Menezes e Anielle Silva, sancionaram na manhã desta terça-feira, 31, a lei que inscreve o nome da historiadora e escritora sergipana Maria Beatriz Nascimento (1942-1995) no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Vítima de feminicídio nos anos 1990, Beatriz Nascimento foi uma ativista de importância fundamental na reivindicação dos direitos das mulheres negras brasileiras e na afirmação da literatura afro-brasileira.

Migrante nordestina que se estabeleceu com a família, ainda criança, no Cordovil, bairro do subúrbio carioca, Beatriz Nascimento se formou historiadora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1971 e depois tornou-se professora. Fundou o Grupo André Rebouças com pesquisadores negros na Universidade Federal Fluminense e militou no Movimento Negro Contra a Discriminação Racial, fundado em 1978. Em 1989, escreveu o roteiro, fez a pesquisa e narrou o documentário Ôrí, dirigido por Raquel Gerber, que recuperou os percursos do movimento negro que se consolidou no Brasil a partir de 1977.

Também poeta e autora, como acadêmica ela estudou durante anos a formação dos quilombos no Brasil, imprimindo o pensamento intelectual e científico às suas experiências individuais de militância e luta antirracista. Estava no processo de concluir seu mestrado quando a violência contra a mulher a atingiu: Beatriz foi assassinada em 1995 pelo companheiro de uma amiga, a quem ela tinha recomendado que o deixasse após diversos casos de espancamento. O homem a matou com 5 tiros e foi posteriormente condenado a 17 anos de prisão.

Seus ensaios sobre a negritude foram reunidos no livro O Negro Visto por Ele Mesmo, organizado por Alex Ratts. “A Terra é o meu quilombo. Meu espaço é meu quilombo. Onde eu estou, eu estou. Quando eu estou, eu sou”.

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