Paul Mescal e Emily Watson, dois dos atores mais festejados do cinema contemporâneo, em cena de "Criaturas do Senhor". Frame. Reprodução
Paul Mescal e Emily Watson, dois dos atores mais festejados do cinema contemporâneo, em cena de "Criaturas do Senhor". Frame. Reprodução

Uma pacata vila na Irlanda cuja vida orbita em torno da pesca e processamento de frutos do mar tem a rotina abalada por uma morte e um retorno inesperado. A partir delas se desenrola a trama de “Criaturas do Senhor”, de Anna Rose Holmer e Saela Davis, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13).

Mulheres se revezam entre o trabalho em um galpão de processamento das iguarias e o consumo de cigarros nos momentos de folga, em um lugar em que a única opção de lazer é um pub, onde conhecidos dançam, cantam, bebem e fumam, aliviando o fardo de suas existências.

Aileen O’Hara (Emily Watson), espécie de chefe no trabalho, comemora a volta do filho, Brian (Paul Mescal, indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2023, por seu trabalho no premiado “Aftersun”), após uma jornada na Austrália – ele resolve assumir a fazenda de ostras do avô, após seu pai desistir do ofício.

Paddy (Lalor Roddy), o avô, em estado quase vegetativo, recebe o cuidado de todos e demonstra emoções com a volta do neto; Con (Declan Conlon), marido de Aileen, já havia resolvido não levar adiante o ofício passado de geração em geração; mas a mãe continuou pagando as taxas devidas para a exploração.

O recomeço, no entanto, não se dá da maneira mais honesta possível e este é apenas o primeiro dos problemas em que a família se vê envolvida, ampliando o fosso no relacionamento entre Con e Brian e alimentando certa rivalidade entre este e sua irmã, Erin (Toni O’Rourke), mãe de um bebê de poucos meses, que percebe a preferência da mãe pelo filho homem e sua alegria com sua volta, tão inusitada quanto a partida.

“Somos todos criaturas do senhor no escuro”, diz Sarah Murphy (Aisling Franciosi) enquanto acompanha Aileen no fumódromo. Sarah e Brian se relacionavam antes de ele ir embora. Após o reencontro dos jovens no pub, ela acusa Brian de estupro – naquela noite seguiram bebendo juntos, após Aileen ir embora. A partir daí tensões se impõem e o filme propõe ao espectador reflexões sobre ciclos silenciosos de violência e sua perpetuação, a cultura do estupro, a revitimização das vítimas de violência sexual, a estrutura social machista e misógina que protege criminosos, e os limites entre ética e justiça com as próprias mãos.

"Criaturas do Senhor". Cartaz. Reprodução
“Criaturas do Senhor”. Cartaz. Reprodução

Serviço: “Criaturas do Senhor” (drama, Estados Unidos/ Irlanda/ Reino Unido, 2022, 100 minutos), de Anna Rose Holmer e Saela Davis. Estreia nesta quinta-feira (13) nos cinemas brasileiros.

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