O poeta, compositor, romancista e espadachim Ademir Assunção

Nesta quinta-feira, 14, a partir das 20 horas, no Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Francisca Miquelina, 155). o poeta paulista Ademir Assunção, vencedor do Prêmio Jabuti em 2013, lança seu novo livro de poemas, O jogo de xadrez e outros poemas, pelo selo Cobalto Livros. Haverá leitura de poemas do livro por Celso Frateschi, Frederico Barbosa, Hector Bisi, Marcelo Montenegro, Mario Bortolotto, Naiara Assunção, Natalia Barros e Vanderley Mendonça.

não falo com minha voz

não são minhas estas palavras

tudo que exprimo – espanto,

todo o mistério – espasmo,

no cintilar de um céu estranho,

são gestos de um primata

deixado aqui por engano

Aos 65 anos, com 20 livros publicados (entre poesia, prosa e jornalismo), espadachim da mais afiada poesia que possa respirar no fio de uma espada katana, Ademir Assunção apresenta uma nova seleção de poemas produzidos nos últimos anos, especialmente após a pandemia de Covid-19, marcada pela crueza de se constatar a devastação, a visão de um mundo que rui para que nenhum outro consiga se colocar em seu lugar. Nos escombros das expectativas frustradas, o poeta equilibra as palavras, o texto, talvez o mais duro e apocalíptico que ele já produziu.

Entre estilhaços de xamanismo e da literatura de Melville e Joyce, surge uma radiografia abrasiva dos tempos que vivemos, das estratégias de anulação e extermínio das singularidades, como no poema O Homem Que Colecionava Nãos. A realidade brasileira de milícias, extrema direita, negacionismo, bebedores de detergente, extremismo religioso, consensos enfiados goela abaixo, permeia grande parte do trabalho.

“A poesia é sempre uma língua estrangeira”, diz o poeta e músico Ricardo Aleixo, citado em uma epígrafe de O jogo de xadrez. É desse testemunho de poeta em estado de reconhecimento de sua condição de exilado em sua própria terra que se estruturam os mais de 40 poemas do volume.

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