"Rap do negão" - capa (de Robinho Santana)/ reprodução
"Rap do negão" - capa (de Robinho Santana)/ reprodução

A banda Farofa Carioca, que revelou o ator, cantor e compositor Seu Jorge, lançou o disco de estreia, “Moro no Brasil”, em 1998. Daquela época, o “Rap do negão” (Gabriel Moura, Seu Jorge e W. J.) acabou ficando de fora. A música foi recuperada e ganhou nova mixagem e masterização quando o grupo trabalhava para disponibilizar o álbum nas plataformas digitais.

Nesta véspera do feriado do Dia da Consciência Negra (20), a música chegou hoje (19) como single às plataformas de streaming e ao youtube, com o lyric vídeo de Diego Aragão. Quase 30 anos após ser composta, segue como peça forte de denúncia do racismo, mas também de reconhecimento da potência e valor do povo preto.

A letra apresenta expressões racistas que colaboram para a perpetuação desta chaga social, encravada na sociedade brasileira desde a escravidão, mas aponta conquistas da população negra: “Mas eu sei que você sabe/ tá cansado de saber/ quando eu chego na parada/ é que começa a acontecer/ Me deixa estudar, aprender, escrever/ deixa eu ler que você vai ver”, empodera a letra, reforçada pela capa do single, do artista visual paulistano Robinho Santana: um negro encapuzado usando um capelo e segurando um diploma.

A gravação de “Rap do negão” une as vozes de Gabriel Moura e Mário Broder, atuais vocalistas do Farofa Carioca, à de seu ilustre ex-integrante, Seu Jorge, e traz citações de “Upa, neguinho” (Edu Lobo e Gianfracesco Guarnieri) — em que se destaca a flauta de Bertrand Doussain, sob arranjo de cordas do maestro Victor Chicri — e “Negro não sabe o que é dor”, ponto de capoeira de domínio público, com reforço dos tambores de Mestre Darcy do Jongo e o vocal de sua esposa Dona Su.

Irreverência e crítica social são características do Farofa Carioca desde seu álbum de estreia. A mensagem do grupo permanece contundente, necessária e, infelizmente, atual.

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Ouça o single:

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Veja o lyric vídeo:

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