Policiais da Guarda Civil Metropolitana (GCM), acionados pela Prefeitura de São Paulo para monitorar um protesto de ambientalistas na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana (Zona Sul de São Paulo), levaram presa e algemada uma manifestante, Karen Sayão, por abraçar uma árvore no canteiro central da rua. Karen integra um movimento que pede o fim da obra de um túnel da prefeitura na Sena Madureira que vai exigir a derrubada de centenas de árvores do canteiro, algumas centenárias (além de ameaçar nascentes próximas que conduzem água até o Lago do Ibirapuera). As árvores começaram a ser derrubadas nesta quarta-feira, 6.

Por volta das 10h30 desta quinta-feira, 7, manifestantes, que batiam panelas no semáforo tentando alertar os motoristas para os danos ambientais que o túnel na avenida vai causar, conseguiram impedir que a polícia levasse a manifestante no camburão, mas não que a polícia retirasse as algemas. Uma ativista perguntava ao policial no comando qual a lei que proibia uma pessoa de abraçar uma árvore na cidade. O policial respondeu: “Se a senhora abraçar qualquer árvore ali, não tem problema algum. Mas ela invadiu o canteiro, onde estão trabalhando”, justificou. A GCM disse que Karen não estava sendo presa, mas “conduzida até a delegacia para o delegado enquadrar” o seu ato.

Alguns manifestantes se exaltaram. Karen chegou a lembrar aos policiais que seu pai sofre de problemas cardíacos, não seria bom pra ele receber a notícia de sua detenção. Outro manifestante quis acompanhar a prisão dentro da viatura, mas foi impedido. Deixaram que ele seguisse em outro carro em direção à delegacia.

O túnel que começou a ser construído na Rua Sena Madureira é considerado por especialistas uma obra que já não poderá mais atender à demanda de quando foi concebido, há 15 anos. Ele foi precedido de um estudo de viabilidade, encomendado pela prefeitura a uma consultoria. O estudo identificou, na flora local, as seguintes espécies na área de influência direta do túnel em construção: Tipuana (Tipuana Tipu), pau-ferro (Caesalpinea ferrea), figueira-benjamina (Ficus benjamina), ipê-roxo (Tabebuia avellanedae), plátano (Platanus acerifolia), ipê-amarelo (Tabebuia Chrysotricha), magnólia-amarela (Michelia champaca), ipê-de-el-salvador (Tabebuia pentaphylla),alfeneiro (Ligustrum lucidum), pata-de-vaca (Bauhinia variegata), canafísula (Peltophorum dubium), jerivá (Syagrus romanzoffiana), uva-japonesa (Hovenia dulcis), sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides) e cedro (Cedrela fissilis).

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