Vencedor do Grammy latino, o cantor e compositor Zeca Baleiro lança edição deluxe de álbum e clipe animado. Retrato: Diego Ruahn. Divulgação
Vencedor do Grammy latino, o cantor e compositor Zeca Baleiro lança edição deluxe de álbum e clipe animado. Retrato: Diego Ruahn. Divulgação

“Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo… (além da sífilis, é claro)”, cantaram os parceiros Chico Buarque e Ruy Guerra em “Fado tropical” (1972), com o nome da doença coberto pela censura vigente à época. “Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”, continua a letra.

A edição deluxe de Canções d'além-mar. Capa. Reprodução
A edição deluxe de Canções d’além-mar. Capa. Reprodução

É essa “dosagem de lirismo” o fio condutor de “Canções d’além-mar” (2020), com que Zeca Baleiro levou, ano passado, o Grammy latino de melhor álbum de música popular brasileira. Para celebrar o feito, o maranhense acaba de disponibilizar nas plataformas de streaming a edição deluxe do disco, com duas faixas bônus, além do videoclipe animado de “O homem do leme”, sua releitura para talvez sua música predileta do grupo pioneiro de rock português Xutos e Pontapés, em atividade desde a década de 1970.

“Sempre achei esta canção de uma energia contagiante – em minha opinião, uma das melhores, quiçá a melhor, do grupo Xutos e Pontapés, grupo pioneiro do rock português. Mas foi a versão acústica da canção, puxada ao fado, que me inspirou esta versão também acústica, ao modo de um baião pop”, comenta Baleiro sobre a escolha e a regravação.

A criação e direção do videoclipe são de Marcos Faria, com quem o cantor já havia trabalhado em clipes como “Mais leve” (Zeca Baleiro/ Cynthia Luz) (faixa de “O amor no caos – volume 1”, de 2019) e em alguns do dvd “A viagem da família Zoró”, a partir do cd “Zoró (Bichos esquisitos)” (2014). Além da releitura do clássico do Xutos e Pontapés, a edição deluxe traz também “Inquietação” (José Mario Branco).

No dizer do próprio Baleiro, “Canções d’além-mar” “não é uma antologia, mas um recorte afetivo do cancioneiro português feito por um músico brasileiro, uma homenagem sincera e apaixonada”. Em 1999, Baleiro dividiu pela primeira vez o palco com um artista português: era Pedro Abrunhosa, no projeto “Navegar é preciso”, que reuniu artistas brasileiros e portugueses em São Paulo. Desde então ele tem feito turnês regulares e bem sucedidas do outro lado do Atlântico.

Ele também responde aos que lhe cobram a falta de nomes da nova cena no repertório de “Canções d’além-mar”: “Desde o lançamento do álbum, alguns amigos portugueses me cobraram pela falta de artistas da nova geração. Mas eu precisava antes render tributo aos artistas responsáveis pelo meu ‘ingresso’ na produção musical contemporânea de Portugal – Fausto, Sergio Godinho, Jorge Palma, Rui Veloso, esses cânones todos. Quem sabe não surja por aí um volume 2 em breve, contemplando as novas gerações? Tenho ouvido bastante coisa interessante, há uma cena bonita e rica hoje na música portuguesa”, revela.

A capa de “Canções d’além-mar” é assinada pelo mago Elifas Andreato, falecido em março passado. O disco é um lançamento do selo Saravá Discos, do próprio Baleiro, com distribuição digital da ONErpm.

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Ouça a edição deluxe de “Canções d’além-mar”:

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