Deus e o diabo na terra do sol. Still. Reprodução
Deus e o diabo na terra do sol. Still. Reprodução

“Num ano com Zer000 filmes brasileiros novos (em sintonia com o país hoje) o filme de Glauber é o verde no chão seco”, comemorou o cineasta Kleber Mendonça Filho em uma rede social. O diretor de “O som ao redor”, “Aquarius” e “Bacurau” se refere à exibição de “Deus e o diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha, em cópia restaurada em 4K no 75º. Festival de Cannes, em que o filme estreou em 1964 – este ano o evento acontece entre 17 e 28 de maio.

O icônico cartaz de Rogério Duarte. Reprodução
O icônico cartaz de Rogério Duarte. Reprodução

O trabalho de restauro desta obra-prima da cinematografia nacional teve início em 2019, quando o produtor Lino Meireles se uniu à diretora Paloma Rocha, filha de Glauber, e foi concluído em 2022, mais de 40 anos após o falecimento do diretor baiano. Este novo restauro foi realizado pela Cinecolor, empresa parceira da Cinemateca Brasileira, em cujo acervo estava armazenada a cópia em película – cinco latas de negativos 35mm em perfeitas condições –, apesar do descaso do governo neofascista de Jair Bolsonaro, cujo desinteresse por qualquer manifestação de inteligência e cultura contribuiu para a perda de parte da obra de Rocha, perdida no incêndio de um dos galpões da Cinemateca em julho de 2021.

“É um ciclo completo para a nossa restauração, onde o filme será reexibido pela primeira vez no mesmo local em que estreou. Que seja um novo chamado de resistência cultural”, vaticina Lino Meireles. “Num país com a cultura tão depreciada, com a produção artística sofrendo ataques, fizemos um esforço de contracorrente. Isso só é possível porque o filme tem a força própria dele”, avalia Paloma Rocha.

Com roteiro do próprio Glauber Rocha, “Deus e o diabo na terra do sol” foi indicado à Palma de Ouro em Cannes, no ano de sua estreia, tendo levado o Prêmio da Crítica Mexicana no Festival de Acapulco, no México, o Grande Prêmio do Festival de Cinema Livre, na Itália, o Náiade de Ouro, no Festival Internacional de Porreta Terme, também na Itália, todos em 1964, além do Grande Prêmio Latino-Americano do I Festival Internacional de Mar dei Placa, na Argentina, em 1966.

A primeira exibição da cópia de “Deus e o diabo na terra do sol” restaurada em 4K acontece na seção Cannes Classics, dedicada a filmes clássicos e à preservação do patrimônio cinematográfico mundial.

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome