Mario Frias e André Porciuncula com o deputado Daniel Silveira, preso pelo STF e que foi obrigado a recolocar nesta quinta, 31, a recolocar tornozeleira eletrônica por desrespeitar decisão judicial

O Secretário Especial de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, Mario Luis Frias, está em viagem oficial de cinco dias a Nova York, nos Estados Unidos, mas a turnê, embora paga com dinheiro público, tem uma singela particularidade: não divulga seu propósito. Segundo despacho de 6 de dezembro do ministro do Turismo, Gilson Machado, que autorizou a viagem de Frias, o secretário está em Nova York para “participar de reuniões sobre Projeto Cultural envolvendo produção audiovisual, cultura e esporte” (o projeto cultural descrito assim mesmo, com iniciais maiúsculas).

A agenda oficial de Frias no site da Secretaria Especial de Cultura, entretanto, informa que ele não teve compromissos oficiais entre os dias 14 e 16 de dezembro (Frias ficará em NY até o dia 19, domingo). É praxe entre as principais regras de transparência pública a informação sobre qual é a agenda da autoridade pública em viagem ao Exterior, mas a gestão Bolsonaro não tem demonstrado muito apreço pela transparência.

A última aparição pública de Frias tinha sido na cerimônia de tombamento das matrizes do forró como patrimônio imaterial brasileiro pelo Iphan, uma formalidade que foi tratada como uma conquista pessoal do governo Bolsonaro. Mas o processo tramita no Iphan desde 2011, não foi uma proposição deste governo – na verdade, o presidente Jair Bolsonaro gabou-se, em uma cerimônia pública na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, de ter promovido uma caça às bruxas no Iphan para privilegiar o patrimônio privado de um aliado, Luciano Hang, conhecido nacionalmente como “Veio da Havan”. É a admissão de um crime, mas não é um flagrante, como berram alguns veículos – FAROFAFÁ denunciou a ingerência em 2019, também a partir de uma boquirrotice do presidente.

Na cerimônia de tombamento do forró, Frias e seu secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciuncula (um negacionista messiânico que é investigado pela Organização dos Estados Americanos, OEA), posaram para foto de redes sociais com o deputado Daniel Silveira, que ficou 5 meses preso, violou a tornozeleira eletrônica 30 vezes e cuja manutenção do mandato está atualmente em exame pela Câmara dos Deputados. Silveira foi preso em flagrante em fevereiro deste ano, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a divulgação de um vídeo em que atacava violentamente os ministros do tribunal, a democracia e fazia ameaças físicas. Silveira está proibido de fazer uso de redes sociais.

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