Cena de "Rodantes", de Leandro Lara
Cena de "Rodantes", de Leandro Lara

Uma atmosfera de angústia acompanha cada quadro do filme Rodantes, do mineiro Leandro Lara, que antes dirigiu o documentário Favela on Blast (2008), em dupla com o DJ e produtor musical estadunidense Diplo, sobre a cena do funk carioca. O cenário em movimento desta vez é a Amazônia profunda, em filmagens dispersas pelas estradas de Rondônia, inspiradas inicialmente por uma viagem de carro de 15 mil quilômetros que Lara fez em 2006, quando fotografava e escrevia para a revista Colors.

A história, fragmentária e descontínua, se desenrola ao redor de três personagens principais que se cruzam no nomadismo, mas não se relacionam diretamente uns com os outros. Henry (Félix Smith) é um imigrante haitiano que vê no dia a dia violento do garimpo de ouro uma possiblidade de sobrevivência. Tatiane (Caroline Abras, de triste memória pelo papel de uma policial federal na série lavajatista O Mecanismo, dirigida por José Padilha para a Netflix, em 2018) é uma jovem em rota de fuga de um passado traumático, que no caminho se prostitui pelas estradas de rondônia. Odair (Jonathan Well) é um rapaz que se desgarra da casa paterna em busca de trabalho e da descoberta da sexualidade.

Cena de "Rodantes"
Cena de “Rodantes”

No relato das vidas totalmente desprotegidas e desamparadas dos três protagonistas, realidade e delírio se interpenetram de forma crua e sangrenta, entre imagens convulsivas de rituais indígenas, exuberância florestal, destruição humana, fogo, prostituição em bregas de beira de estrada, tensão e engarrafamentos na rodovia, violência sexual e solidão. As três trajetórias independentes confluem para desenlaces semelhantes de caos e catástrofe. As trajetórias rodantes não têm nada de idealizadas, e calam como uma bomba silenciosa naquilo tudo que o Brasil virou neste sombrio início dos anos 2020.

RodantesDe Leandro Lara. Brasil, 2019, 100 min. Em cartaz a partir de 29 de julho, nos cinemas e nas plataformas digitais Claro Now, Oi Play e Vivo Play.

 

 

 

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome