Alex Braga Muniz (na extrema direita) e os novos diretores da Ancine comemoram sua aprovação no Senado com o senador Carlos Portinho, relator de sua indicação, em 6 de julho

Com inusitada pressa, o presidente da República, Jair Bolsonaro, publicou nesta quinta-feira 21, o decreto da nomeação de Alex Braga Muniz para exercer a presidência da Agência Nacional de Cinema (Ancine) a partir de 20 de outubro de 2021. Bolsonaro também editou decreto nomeando outros dois diretores da agência: Vinicius Clay e Tiago Mafra dos Santos.

Alex Braga Muniz, que ficou interino durante dois anos na Ancine, vai agora ser o diretor presidente até 2026 – ou seja, ficará durante todo o mandato do presidente que será eleito em 2022, como um legado de constrangimento para o setor audiovisual. Ele foi sabatinado e aprovado pelo Senado Federal mesmo havendo uma advertência de que tanto ele quanto Vinicius Clay são réus por improbidade administrativa na Justiça Federal, o que seria um impedimento legal. Enquanto não houvesse o decreto de Bolsonaro, ainda havia um risco que os nomes dos indicados fossem vetados pelo Congresso. Vinicius Clay também ficará até 2026 no cargo, e Tiago Mafra até 2024.

Após a revelação, pelo FAROFAFÁ, de que os sabatinados Muniz e Clay eram réus, também houve a revelação de uma outra manobra: no dia seguinte à aprovação pelos senadores (alguns do PSDB e do DEM), a Ancine negou a aprovação de um pedido de fomento para um documentário sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB e aliado do DEM. Tanto Muniz quando Clay participaram das deliberações dos trâmites desse filme na agência, mas temiam se “queimar” se o veto fosse anunciado antes de sua sabatina. Hoje, a diretoria da Ancine se reúne para discutir esse veto – pela pressão registrada na imprensa, no setor audiovisual e no Congresso, é capaz de reverter a decisão.

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