O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, em cerimônia de inauguração da Funarte Liberdade, em Belo Horizonte, evento que dispensou a Secretaria Especial de Cultura e Mário Frias

Por que jorra tanto dinheiro do Ministério do Turismo do governo Bolsonaro?

É difícil de explicar. O cenário do turismo no Brasil é desolador em 2020. O setor teve uma redução de 33,6% no seu faturamento entre janeiro e agosto. A queda nas viagens aéreas (retração de 68,8%) e serviços de hospedagem e alimentação (menos 43,2%), além de atividades recreativas, culturais e esportivas (queda de 33,3%), tudo isso leva a crer que a área não está entre os setores de rentabilidade no atual momento. Esses dados são da Fecomércio.

Ainda assim, o Ministério do Turismo ostenta. Recentemente, contratou sem licitação, por R$ 1.370.050,00, a empresa norte-americana Wakalua Innovation Hub para “prestação de serviços de consultoria visando o crescimento do setor de turismo no País”. O que a Wakalua poderia propor para fazer o turismo crescer aqui na Califórnia, com a Disneylândia fechada, os parques nacionais (como o Yosemite) fechados, a ocupação dos hotéis em queda de mais de 20%?

Somente hoje, no Diário Oficial da União, o Ministério do Turismo publicou texto com a contratação da Caixa Econômica Federal, também sem licitação, para operar financeiramente 100 milhões de reais de seus cofres. Ao mesmo tempo, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Ancine, que é subordinada ao Ministério do Turismo, não vê há um tempão a cor do seu dinheiro (que não é dotação orçamentária, é exclusivo, fruto de tributação do mercado).

O ministro do Turismo do governo Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antonio, é um velho conhecido das manchetes dos jornais. A célere Justiça brasileira ainda não sabe se o declara réu no escândalo conhecido como Laranjal do PSL, que consistiu num esquema de candidaturas de fachada em 2018. O PSL foi o partido que elegeu Jair Bolsonaro. Uma empresa do irmão do ministro recebeu verba pública do PSL em 2020, segundo revelou a imprensa.

A abundância de provas da ação eleitoral fraudulenta do ministro, entretanto, só fez crescer o seu cartaz e o seu caixa no governo. Ele estava ao lado de Bolsonaro quando do episódio da facada em Juiz de Fora. “Eu estava ao lado do Jair quando este covarde desferiu o golpe”, contou, ao jornal Estado de Minas.

Com o desmonte das pastas da Cultura e do Esporte, que passaram a ser geridas pelo Ministério do Turismo, além de uma substancial injeção de recursos provenientes da presidência da República, Marcelo Álvaro é hoje provavelmente o único gestor que dispõe de uma fortuna para gastar e possui fiscalização zero sobre suas ações. Somente o dinheiro em caixa pertencente ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) pode ultrapassar R$ 3 bilhões. Como não há onde gastar, já que não há investimento que possa lotar hoteis e balneários em uma situação de calamidade de saúde, é de se imaginar onde está sendo alocada essa dinheirama.

Marcelo Álvaro Antonio rapidamente deduziu que certos subordinados, como o Secretário Especial de Cultura, Mario Luis Frias, só lhe causariam problemas e deu um “gelo” no voluntarioso ex-ator. Recentemente, chegou a prescindir da presença de Frias na inauguração de uma sede da Funarte em Belo Horizonte. Sem acesso aos recursos e sem a caneta de mando, Mario Luis Frias passa os dias referendando bravatas de Jair Bolsonaro e de seus filhos, colocando-se à disposição para entrar em guerra com os Estados Unidos ou com a China.

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