O filme Cicatrizes, de Miroslav Terzić, traz à tona as 500 famílias sérvias que viveram à procura dos filhos desaparecidos e jamais localizados.
Cicatrizes traz à tona as 500 famílias sérvias que viveram à procura dos filhos desaparecidos
O pano de fundo jamais citado explicitamente é a Guerra Civil Iugoslava. No filme sérvio Cicatrizes, de Miroslav Terzić, a protagonista é Ana, uma costureira de Belgrado que há 18 anos perdeu um filho no nascimento. Inconformada, ela vaga por kafkianas repartições públicas – hospital, delegacia de polícia, prefeitura – em busca de indícios que remontem uma história sempre mal contada.
Ana jamais viu o corpo do filho e não acredita em sua morte. Ela costura, cuida da casa tristonha, debate-se com o marido que tenta convencê-la a esquecer o assunto, relaciona-se mal com a filha adolescente que não se perdeu e vive obcecada pelo filho desaparecido. O filme resolve as dúvidas da protagonista vagarosamente, numa atmosfera sempre sufocante que se dedica a documentar com o máximo cuidado o rosto melancólico e o corpo cansado da personagem vivida pela atriz Snezana Bogdanovic.
A trama se desenvolve como drama existencial e deixa o substrato político em segundo plano até o final, quando o diretor demarca que se trata de história inspirada em caso real e que 500 famílias sérvias vivem à procura de filhos desaparecidos entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990, e jamais localizados.
Cicatrizes. De Miroslav Terzić. Sérvia, 2019, 98 min.
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