Cena do filme Cicatrizes, de Miroslav Terzić
O filme Cicatrizes, de Miroslav Terzić, traz à tona as 500 famílias sérvias que viveram à procura dos filhos desaparecidos e jamais localizados.

Cicatrizes traz à tona as 500 famílias sérvias que viveram à procura dos filhos desaparecidos

O pano de fundo jamais citado explicitamente é a Guerra Civil Iugoslava. No filme sérvio Cicatrizes, de Miroslav Terzić, a protagonista é Ana, uma costureira de Belgrado que há 18 anos perdeu um filho no nascimento. Inconformada, ela vaga por kafkianas repartições públicas – hospital, delegacia de polícia, prefeitura – em busca de indícios que remontem uma história sempre mal contada. 

Ana jamais viu o corpo do filho e não acredita em sua morte. Ela costura, cuida da casa tristonha, debate-se com o marido que tenta convencê-la a esquecer o assunto, relaciona-se mal com a filha adolescente que não se perdeu e vive obcecada pelo filho desaparecido. O filme resolve as dúvidas da protagonista vagarosamente, numa atmosfera sempre sufocante que se dedica a documentar com o máximo cuidado o rosto melancólico e o corpo cansado da personagem vivida pela atriz Snezana Bogdanovic

A trama se desenvolve como drama existencial e deixa o substrato político em segundo plano até o final, quando o diretor demarca que se trata de história inspirada em caso real e que 500 famílias sérvias vivem à procura de filhos desaparecidos entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990, e jamais localizados.

Cicatrizes. De Miroslav Terzić. Sérvia, 2019, 98 min.

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome