Ricardo Cota, à esquerda: da Farra dos Guardanapos à Ancine

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro investiga os resultados da influência do grupo do ex-governador do Rio, Sergio Cabral, na Agência Nacional de Cinema (Ancine) durante o período em que Christian de Castro presidiu a instituição. Castro encontra-se afastado devido a uma medida cautelar da Justiça do dia 30 de agosto.

A influência de Sérgio Cabral é atribuída pelo MPF à presença, na Ancine, de um íntimo colaborador de Cabral, Ricardo Luiz Rocha Cota, o Cotinha. Cotinha foi subsecretário de Comunicação de Sérgio Cabral e está numa das famosas fotos da Farra dos Guardanapos, uma faustosa festa em Paris em 2017 com o empreiteiro Fernando Cavendish (da Delta Construções), às custas de dinheiro público. Cotinha foi levado à Ancine pelo ex-ministro da Cultura de Michel Temer, Sérgio Sá Leitão (atual Secretário da Cultura e da Economia Criativa de São Paulo da gestão João Dória) e foi exonerado no final do ano passado, quando Sá Leitão saiu.

Ricardo Cota fez lobby pela indicação de Christian de Castro para a Ancine, e chegou mesmo a sugerir estratégias publicitárias para defender o nome do diretor agora afastado. “Sensatez, moderação, simpatia, simplicidade, correção, consistência, ação e simplicidade. Algumas palavras que definem o candidato”, sugeriu Cota em mensagem. Na quebra de sigilo telefônico de Christian de Castro, foram encontradas 15 ligações de Cotinha para o ex-diretor, e 5 ligações de Castro para ele.

Cotinha é citado na Operação Lava-Jato, na delação do marqueteiro Renato Pereira, sócio da empresa Prole. Segundo Pereira, Cotinha teria participado de fraudes em licitações na secretaria de Comunicação, numa operação que envolveu a empresa Carioca Filmes. Há alguns anos, Ricardo Cota foi levado pelo colecionador Gilberto Chateaubriand ao Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio para ser o curador da Cinemateca do museu.

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