Morreu ontem o fotógrafo suíço Robert Frank (1924-2019). O pequeno texto abaixo foi publicado no roteiro da revista CartaCapital em setembro de 2017, quando inaugurou o Instituto Moreira Salles da Avenida Paulista. Republicando para lembrar Frank.

 

Fotógrafo suíço que partilhou o sonho beatnik é objeto da mostra de inauguração do novo Instituto Moreira Salles, na Avenida Paulista

 

“Robert Frank, suíço, discreto, simpático, com aquela câmera pequena que levanta e dispara com uma das mãos, sugou um poema triste dos Estados Unidos e o passou para seu filme, perfilando-se entre os poetas trágicos do mundo. A Robert Frank envio uma única mensagem: você tem olhos”, escreveu Jack Kerouac na épica apresentação do livro Os Americanos (1958), do fotógrafo Robert Frank.

As fotos de Frank, tiradas em 1955 e 1956, compõem a maior exposição de inauguração do novíssimo prédio do centro cultural do Instituto Moreira Salles, aberto desde o dia 20 na Avenida Paulista, 2.424, em São Paulo. Hoje com 92 anos, o fotógrafo compartilhou do sonho beatnik e suas visões nos anos 1950. O resultado é um estandarte libertário: rostos comuns em profusão, livres de qualquer idealização, surgem em enterros na Carolina do Sul e em filas de bonde na Canal Street de Nova Orleans. Travestis em Nova York, caubóis no Novo México, uma testemunha de Jeová em Los Angeles, um defunto à beira da rodovia no Arizona.

“Plante suas prisões nas bacias lunares do Utah, cutuque as terras tateantes do Canadá que terminam em baías árticas, tricote sua gola mexicana: América – estamos a caminho de casa, a caminho de casa”, resume Kerouac sobre a saga do fotógrafo. Jotabê Medeiros

 

Robert Frank está a caminho de casa.

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