Conhecido no meio musical há mais de 30 anos, o guitarrista Edgard Scandurra, fundador do grupo paulistano de rock Ira!, segura nervosamente o microfone aberto do Teatro Oficina. Avisa, temeroso, que vai fazer o primeiro discurso de sua vida.

Tateia as palavras. Critica a extinção do Ministério da Cultura, rejeita o governo interino da junta provisória Michel Temer. Derrapa num palavrão mal empregado.

Recebe uma reprimenda carinhosa do encenador Zé Celso Martinez Corrêa, locomotor do Oficina e do ato que acontece nesta noite de terça-feira, 17 de maio, com participação de nomes como Marilena ChuiNabil Bonduki, Sandro BorelliFernando Anitelli e muitos de nós.

A plateia que também é artista e comunicadora se soma ao escracho amigo de Zé Celso em Edgard: viva a vaia!

Edgard não se abala. Sorri. Segue adiante. Saúda os estudantes secundaristas que são a menina dos olhos do ato no Oficina. Passa seu recado. Critica o fundamentalismo religioso em campanha aberta contra a cultura. Diz que tudo tem limite e que seu limite já se excedeu. Condena o golpe de estado em curso no país.

Conclui seu primeiro discurso. E se sai bastante bem para um principiante.

Quantos edgares existem hoje e se escondem por aqui, por aí, por todo lugar?

 

(Leia e assista aqui reportagem sobre o ato contra o desmanche do Ministério da Cultura no Teatro Oficina.)

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