O Brasil está em meio ao êxtase com a Copa do Mundo em nossa terra e tudo tem virado uma grande festa verde-amarela futebolística. A magnitude do torneio é tamanha que festas e eventos que acontecem tradicionalmente no meio do ano em Brasília correram para longe da folha de junho e julho no calendário sob o temor de serem ofuscados pelo carnaval nos gramados. Pois o T-Bone e sua Noite Cultural deram de ombros para o mundial e realizaram na quinta-feira, 26 de junho, a 35edição trazendo Jorge Ben Jor para cantar seus sucessos no já tradicional palco montado ao lado do açougue do seu Luiz Amorim.

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Para quem conhece a trajetória e a obra do cantor, o fato de termos um show dele durante a realização de uma Copa do Mundo em um das cidades-sede (que por conta disso está apinhada de estrangeiros) faz com que seus fãs se encham de expectativa com relação ao repertório que será apresentado numa noite tão aguardada. Durante o anúncio do show nas agendas culturais das rádios da cidade essa espectativa se reforçava, com Jorge sendo lembrado como o cantor de sucessos futebolísticos como “Fio Maravilha” (1972) e “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)” (1976).

Pois Jorge subiu ao palco, sem apresentações ou saudações de boa noite ou coisa do gênero. Sua apresentação enveredou apenas pelos sucessos consagrados, abrangendo todas as fases de sua carreira, do samba-rock ao pop oitentista e rendendo até homenagem ao “síndico” Tim Maia ao cantar “Do Leme ao Pontal” (1981) como um introdutório a “W/Brasil (Chama o Síndico)” (1991) – uma sequência que se encaixou perfeitamente e levantou a plateia que se espremia entre os blocos daquela comercial da Asa Norte.

unnamedQuanto à Copa do Mundo e ao futebol… Não se fizeram presentes no repertório e nem em falas ou discursos entre as músicas. Aliás, o mais profícuo entre nossos compositores futebolísticos se limitou a tocar, sem falas entre as canções – acabava uma e logo começava outra. Apesar de a plateia na pista ter curtido o show e a noite, a impressão que dava era de que ele tinha ido ali apenas para “entrar, tocar, sair”.

Mas o clima futebolístico se fez presente sim. A Noite Cultural, que sempre foi um momento de agitação para Brasília, ganhou um incremento especial com a presença dos estrangeiros que acompanhavam a Copa do Mundo na cidade (poucas horas antes do show, Portugal e Gana haviam se enfrentado no Mané Garrincha), dando um ar especialmente cosmopolita ao evento.

Ficamos com a carência de não ter recebido de Jorge Ben Jor sua percepção deste momento histórico que o Brasil está vivendo, mas ficamos saciados com seu talento no palco e nas letras de suas músicas. Jorge, mesmo não tendo ouvido suas palavras torcemos para que você esteja curtindo este mês do futebol mundial em nosso país tanto quanto nós, seus fãs, porque, querendo ou não, não tem quem veja Neymar e Messi atuando e não pense pelo menos em um momento que seja em trechos de suas músicas de futebol.

10 COMENTÁRIOS

  1. Gosto muito do Jorge. tenho 53 anos. Gosto MUITO de música. Trabalho com, inclusive. Me permita colocar aqui uma opinião: voces esperam dele MAIS do que ele SEMPRE entregou. Jorge, embora – merecidamente – seja um personagem histórico importante na cena musical do país, NUNCA foi unanimidade em seu (o que fui contemporâneo) próprio tempo. Tinha fama de chato, de músicas iguais, pouco relevante em execuções no rádio e vendas. Fato, fato, fato. Jorge tinha sim uma “aura” quendo, verdadeiramente, se tornou sucesso (e vendeu “CDs”) com W/Brasil e tals. Sim, sei de taj mahal, o caso com Rod Stewart, tabua das esmeraldas, etc. Repito: tenho simpatia com o personagem, músicas e tal. Adoro o “mito” da Tijuca (aqui incluo o Tim nessa onda Benjor) e tals. Mas afirmo que o endeusamento do cara é um FENOMENO recente, me impressionado sua nova orda e idólatras entre o público de 35 anos pra baixo.

    Enfim: Jorge estava, provavelmente, de saco cheio nesse show aí. Aliás, ele tá de saco cheio há MUITO tempo.

    Haha.

    Gente, cêis são doidos.

    Viva Jorge. =p

  2. Não dá para especular o que ocorreu para que o mestre tenha agido dessa forma para com o público. Todavia, em plena copa do mundo, não se pode notar que ele foi totalmente esquecido pelos organizadores do evento. Agora, com todo respeito às pessoas, quem são Claudia Leite, Pitbull e Jenifer Lopez perto do Jorge Ben para este evento específico? Várias músicas dele já teriam a cara da copa do mundo aqui no Brasil, não precisaria nem de um tema novo (isso se ele já não tivesse uma no gatilho). Um completo absurdo da organização tirar o mestre de um evento desse porte. Ele seria a cara da copa, que apresenta um futebol de qualidade, futebol arte. Basta olhar para nossa dupla de zaga, T. Silva e David, que lembram claramente a música Zagueiro. Infelizmente foi esquecido.

    Jorge Ben, sempre um mestre

  3. Costumeiramente endosso as matérias da revista mas, jornalisticamente, esse foi um pisão na bola dos grandes. Comecei lendo o texto e estava empolgado… Tinha tudo para ser uma matéria impactante, sobre falar da possível revolta, descaso, apatia e indignação de um artista com a Copa do Mundo sendo realizada em seu país. Mas o jornalista, no meio do caminho, se esqueceu de fazer a crítica pretendida (o que poderia render uma matéria e tanto) para virar fã e comprar briga e, com um “gran finale”, cometer um dos erros mais primários do jornalismo: a de tecer informações na primeira pessoa do plural (dignas de colunistas megalomaníacos): “ficamos saciados com seu talento no palco (…). Torcemos para que você esteja curtindo este mês do futebol mundial em nosso país tanto quanto nós”. Quem dera se isso fosse dito em tom de ironia, mas não foi… Falta ao jornalismo brasileiro o velho desprendimento e o mínimo de isenção; falta ao profissional da escrita deixar em casa as suas vontades pessoais na hora de cobrir um assunto e redigir um texto. Falta ao profissional de jornalismo, o jornalismo em si, correndo nas veias, até mesmo mesmo para apurar não só que viu mas o que não foi visto. Pois, se a boa experiência de produção musical me legitima nessas horas, ouso dizer que nem tudo ocorre por acaso nesses shows. Bem sei que algo pode ter ocorrido na coxia, longe dos olhos dos cidadãos para que o artista tenha agido assim. De qualquer modo, cabe ao ‘BOM” profissional apurar…

  4. caro c. junior,
    até parece que o silêncio de jorge ben era premonitório do que viria logo depois com a seleção (?!) brasileira…
    fora isso, de fato, os últimos shows de jorge ben a que assisti todos foram com este tipo de comportamento “burocrático” dele, como quem bate ponto! muito decepcionante para o público que vai prestigiá-lo. sequer cumprimenta a platéia… acho isso muito deselegante, para alguém que é a elegância em suas letras! o que há com jorge ben?!
    apesar de tudo, continuo apaixonado pela sua obra.
    um abração.
    orlando.

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